Nieuports Delage na Aviação Militar


História e Desenvolvimento. 

Na primeira metade da década de 1920 a Força Aérea Francesa emitiu especificações para o desenvolvimento de um novo caça monoposto de composição mista (ligas de metal, madeira e tela), uma concorrência foi aberta em 1922, sagrando se com vencedora a empresa Nieuport-Delage, que apresentou seu modelo NID-42, um contrato de fornecimento de 20 células iniciais foi celebrado com as primeiras unidades sendo entregues para serviço operacional no início do ano de 1927.

O emprego operacional apontou necessidades de melhoria no projeto original, gerando assim a versão NID-52, que dispunha das estruturas totalmente construídas em duralumínio com fuselagem monocoque, recobertas com lona, além de receber de um novo motor V-12 Hispano Suiza 12H com 500hp de potência, tinha ainda como diferencial marcante uma menor envergadura das asas quando comparado a versão anterior.

O primeiro protótipo do NID-52 alçou voo no início do ano de 1927, apresentando um excelente desempenho, porém sua concepção estrutural total em duralumínio trouxe ao projeto um considerável incremento de custo, levando o fabricante a repensar o conceito, gerando assim a versão NID-62 que retomaria a composição estrutural mista, tendo como resultante um menor custo de aquisição, que era considerado pela Força Aérea Francesa um ponto determinante para a aquisição em grandes quantidades. O primeiro protótipo desta versão simplificada iniciou seu processo de testes e aceitação em janeiro de 1928, gerando uma encomenda de 135 unidades.

Neste mesmo ano a Força Aérea Espanhola abriu concorrência internacional para a aquisição de uma nova aeronave de caça, mais uma vez as qualidades do modelo da Nieuport-Delage se destacaram, sendo a mesma declarada vencedora com seu modelo NID-52. Foram encomendadas 125 celulas para produção sob licença pela empresa espanhola Hispano Suiza em sua fábrica em Guadalajara.

As primeiras unidades foram entregues em 1930, com a produção se estendendo até fins de 1933, quando foram concluídas todas as células encomendadas, os NID-52 conhecidos localmente como "Hispano-Nieuport" foram destinados a três unidades de caça, o Grupos 11, Grupo 1 e o  Grupo 13. Apesar de se destacar nas fases de seleção, o modelo operacionalmente foi considerado impopular pelos pilotos espanhóis, tanto em função de desempenho, quanto em termos de segurança, pois era um modelo que não perdoava erros de condução, fato que levou a disponibilidade de apenas 56 células quando da eclosão da Guerra Civil Espanhola em 18 de julho de 1936. 

A maioria dos Hispano-Nieuport permanecera, em mãos do governo durante a guerra civil, com apenas 11 a disposição das forças nacionalistas. As forças republicanas foram reforçadas pela Hispano-Suiza com a construção mais 10 células novas, entregues no mesmo ano. Durante o conflito o modelo foi retirado da linha de frente sendo substituído por novas aeronaves, se mantendo operacional em tarefas secundarias até fins de 1938.


Emprego no Brasil. 

No final da década de 1920 a Aviação Militar do Exército Brasileiro se encontrava em processo de amadurecimento de sua doutrina de operação aérea e buscava no mercado internacional analisar opções de novos de modelos de aeronaves para reequipar suas unidades, muitas das quais equipadas ainda com vários modelos obsoletos da década passada.

Neste processo a Aviação Militar em consonância com os termos da Missão Francesa de apoio militar,  viria a adquirir quatro células do Nieuport-Delage NID-72C1, versão esta derivada do modelo NID-52 que fora desenvolvida para o atendimento de uma encomenda Belga no ano de 1929, com principal característica possui uma envergadura ligeiramente menor que seu modelo original e estava equipado com um motor Hispano-Suiza 12Lb V-12. As células foram recebidas em maio de 1931 sendo destinadas a operação no Campo dos Afonsos, sua operação trouxe grandes benefícios na consolidação da doutrina aérea militar, pois foi a primeira aeronave militar brasileira a dispor de fuselagem de construção total duralumínio com fuselagem monocoque, representando significativos avanços em termos de desempenho quando comparado aos modelos em uso até então.

Apesar do baixo números de aeronaves o Nieuport-Delage NID-72C1 apresentaria uma destacada atuação na Revolução Constitucionalista de 1932, estando em combate nos dois lados. O modelo em uso pelos rebeldes foi fruto de uma ousada fuga do Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro, quando o Capitão Adherbal da Costa Pereira se apoderou do “NID-72 K-421”, integrando se ao Grupo Misto de Aviação da Força Pública de São Paulo (GMA), onde seria batizado de “Negrinho” após receber uma nova pintura em branco com listras pretas, visando assim se se diferenciar das forças legalistas.

Durante o conflito, as aeronaves dos Gaviões de Penacho (denominação adotada pelos pilotos da GMAP) e Vermelhinhos Legalistas, protagonizaram cenas de Primeira Guerra Mundial, nos céus paulistas, atacando alvos, para impedir avanço de tropas, ou destruir aviões do adversário em suas bases. No oitavo dia do conflito, 16 de agosto, os governistas atacaram o Campo de Marte, principal base rebelde, sem, contudo, produzir grandes estragos. Em 02 de outubro de 1932, o conflito estava encerrado. Os paulistas rendiam-se 85 dias depois do início das hostilidades, eles haviam iniciado a Revolução contando com o apoio dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, mas posteriormente estes mesmos acabaram por se manter fiéis ao governo de Getúlio Vargas. Sem aliados, os paulistas enfrentaram bravamente as forças Legalistas.

Após o termino do conflito o  Nieuport-Delage NID-72C1 K-421 “Negrinho” foi reintegrado a Aviação Militar do Exército Brasileiro, recebendo novamente a pintura padrão. Em fins de 1937 a obsolescência e problemas no fluxo de peças de reposição determinara a retirada do serviço ativo, encerrando assim sua carreira no Brasil.


Em Escala.

Para representarmos o Nieuport-Delage NID-72C1 "K-422" empregamos o modelo da Heller (versão NID-62) na escala 1/72, devendo-se proceder ligeiras alterações (redução da área alar e alterações no posicionamento dos radiadores de óleo). Empregamos decais confeccionados pela FCM, presentes no antigo Set 72/08.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado no Brasil, segundo registros as aeronaves foram recebidas na pintura de metal natural com a adição das marcações e cores nacionais. O padrão subsequente em verde oliva foi aplicado por volta de 1934 se mantendo até a desativação das aeronaves em fins do ano de 1937.



Bibliografia :

- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto

- Nieuport-Delage NiD 52/62/72  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Nieuport-Delage_NiD_52