M3A3 e M3A5 Lee no Exército Brasileiro

História e Desenvolvimento.

A segunda metade da década de 1930 presenciou um forte programa de rearmamento da Alemanha que era regida pelo partido nazista, este processo focava o desenvolvimento de novos conceitos e tecnologias em equipamentos e armas, e um dos pilares deste programa envolvia o desenvolvimento de carros de combate blindados, que se caracterizavam pela combinação de velocidade, mobilidade, blindagem, controle de tiro e poder de fogo, que eram superiores a maioria de seus pares disponíveis na época. Atentos as possíveis ameaças futuras, o comando do Exército Americano iniciou em fins desta mesma década um programa de estudos visando o desenvolvimento de blindados que pudessem a rivalizar com os novos carros de combate alemães, pois naquele período a espinha dorsal de seus carros de combate era representada pelos tanques leves M-3 Stuart dotados de canhões de 37 mm. 

Durante a campanha da França os novos blindados alemães o sucesso observado dos novos carros de combate o Panzer III e Panzer IV, aumentaram o nível de preocupação de comando do Exército Americano, a solução ideal estava baseada no projeto do novo carro M4 Sherman, porém o mesmo ainda não estava disponível para produção em larga escala, a opção mais viável estava concretizada no tanque médio M3 que já se encontrava fase inicial de produção, logo após o primeiro ter sido submetido a exaustivos testes a partir de março de 1941, além do mais as linhas de produção da Baldwin Locomotiva Works já estavam ajustadas para a produção em larga escala deste modelo, sendo que as primeiras unidades começaria a ser entregues já no mês de julho.
O M3 possuía um desing incomum, pois a arma principal o canhão M2 de 75mm não estava instalado em uma torre giratória, e sim no chassi o que prejudicava em muito o deslocamento lateral da peça forçando o veículo a se movimentar para melhor o ângulo de tiro, o canhão de 37 mm que estava montado na torre principal era de pouca utilidade contra as blindagens alemães, acima desta torre estava instalada uma metralhadora Browning .50 para uso do comandante do carro. Além da problemática da movimentação do canhão o M3 ainda apresentava como pontos negativos o perfil elevado do chassi, baixa relação de peso e potência e sua armadura rebitada (cujos rebites apresentavam a tendência de ricochetear internamente quando da ocorrência de impactos externos). Em função da emergencial necessidade de se suprir as forças britânicas com blindados de médio porte, estas deficiências foram ignoradas e milhares de carros foram exportados para a Inglaterra.

O batismo de fogo dos M3 (que foram batizados pelos ingleses como Grant ou Lee) ocorreria em 27 de maio de 1942 contra as forças do general alemão Erwin Rommel na Batalha de Gazala, e representaram uma surpresa para as forças do Eixo que não esperavam a presença de carros inimigos equipados com canhões de 75mm, representando um novo desafio para os Panzer alemães e para os tanques italianos Fiat M13/40 e M14/41, mesmo assim a introdução do M3 não conseguiu vencer a batalha pelos britânicos e muitos deles foram destruídos pelos mortais canhões anti tanque de alta velocidade e 88 mm. Nos primeiros estágios da participação americana dos Estados Unidos na guerra os M3 foram muito empregados nas demais batalhas no norte da África e também no teatro de operações do pacifico até serem substituídos pelos novos modelos do M4 Sherman.

Após a Inglaterra o segundo maior usuário do M3 foi a União Soviética, que passou receber seus primeiros carros de combate nos termos do Leand & Lease Act a partir de 1941, com um contrato envolvendo 1.386 unidades, porém o Exército Vermelho receberia efetivamente 967 destes, pois o restante foi perdido durante o transporte mais notadamente em ataques alemães aos comboios americanos. A designação soviética oficial foi М3 средний (М3) ou "M3 Medium", para distinguir o Lee / Grant do M3 Stuart , construído nos EUA , que também foi adquirido pela URSS e conhecido oficialmente como М3 лёгкий ( М3л ). O modelo se mostrou muito impopular entre as tripulações de carros de combate, recebendo o apelido de Братская могила на шестерых, que pode ser traduzido como "Um túmulo comum para seis".
Apesar das falhas e má fama o M3 é notabilizado por ter introduzido a nova e eficiente suspensão VVSS (Vertical Volute Spring Suspension) que permitia o blindando melhor desempenho em terrenos acidentados e não favoráveis. Sua produção total atingiu a cifra de 6.258 unidades, distribuídas em 17 versões, sendo fabricado entre agosto de 1941 e dezembro 1942. Além dos Estados Unidos, Grã Bretanha e União Soviética, os M3 seriam empregados também pela Austrália, Índia, Canada, China e Filipinas. 

Emprego no Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos bases aéreas e portos na região nordeste destinados ao envio de tropas, suprimentos e armas para os teatros de operações europeu e norte africano. Porém naquele período as forças armadas brasileiras ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial, e se fazia necessário proceder uma ampla modernização de seus meios e doutrinas, esta necessidade começaria a ser sanada com a adesão do Brasil  aos termos do Leand & Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Em termos de carros de combate a cessão americana se concretizaria inicialmente com a entrega de 104 tanques médios Lee nas versões M3A3 e M3A5 (iguais aos fornecidos para os ingleses e russos, que os empregavam em diversas frentes de batalha contra os alemães e italianos), sendo ambos armados com canhões de 75mm e 37mm além de metralhadoras. Sua Guarnição era composta de seis homens e atingiam uma velocidade máxima de 40km/h. Os primeiros cinco M3 foram recebidos no Rio de Janeiro em 1942 e os últimos em meados do ano seguinte. A diferença básica entre estes dois modelos estava baseada no acabamento do casco, sendo o primeiro modelo totalmente soldado e o segundado rebitado.
A introdução dos carros de combate médio M3A3 e M3A5 nas fileiras do Exército Brasileiro viria a provocar a geração de um novo ciclo operacional que abandonava a doutrina francesa oriunda da Primeira Guerra Mundial e também substituiria seus meios, sendo que até então o sustentáculo da força mecanizada de blindados no Brasil era composto pelos carros leves italianos Fiat Ansalvo CV3/35 e alguns remanescentes franceses Renault FT-17. Não só Lee como também os Stuart recebidos no mesmo período eram muito superiores em termos de desempenho, peso, dimensões e armamento.

Inicialmente os M3A3 e M3A5 foram alocados junto ao 1º Batalhão de Carros de Combate, 2º Batalhão de Carros de Combate e 3º Batalhão de Carros de Combate, tendo como as capitais dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, estas unidades também estavam equipadas com o carro leves de combate M3 Stuart e M3 White Scout Car. Até o primeiro semestre de 1945 o M3 seria o principal carro de combate no Exército Brasileiro, e mesmo apesar de ser superado em número pelos Stuart, ainda detinha o melhor poder de fogo. A partir de agosto de 1945 começaram a ser recebidos os primeiros M4 Sherman, que gradativamente assumiram a posição de principal carro de combate brasileiro.
No início da década de 1960  restavam poucos carros operacionais, sendo esta indisponibilidade causada pela a crônica falta de peças de reposição (principalmente no que tange ao motor radial Wright a gasolina que deixará de ser fabricado em 1945), e cada vez mais os M3A3 e M3A5 estavam relegados a missões de segunda linha, a partir de 1957 começaram a ser recebidos os primeiros M-41 Walker Buldog, determinando o fim da carreira de combate do modelo sendo que apenas algumas unidades conservadas para treinamento na Escola de Motomecanização (EsMM ) no Rio de Janeiro até o fins de 1969, quando foram enfim descarregados tendo seus componentes principais como peças de motor, caixas reguladoras e geradores sendo aproveitados para suprir a frota de M4 Sherman.

Em Escala.

Para representarmos o M-3A5 EB11-527, empregamos o kit Tamiya na escala 1/35, modelo este mais indicado para configurar a versão nacional sem a necessidade de proceder qualquer alteração. Fizemos uso de decais impressos pela Eletric Products, presentes no Set " Brasil 1944/1982 ".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Americano quando do recebimento dos carros de combate no Brasil em 1942, tendo como alteração somente as marcações nacionais, salientando que o escudo dos veículos seguindo o padrão empregado nos veículos que estavam em território nacional durante a guerra, sendo substituídos posteriormente pelo escudo com o Cruzeiro do Sul empregado no teatro de operações da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.



Bibliografia :

- M-3 Lee : From Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Lee
- Bllindados no Brasil Volume I, - por Expedito Carlos S. Bastos
- M-4 Sherman no Brasil - Por Helio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Junior