Gloster Meteor na FAB - Parte I


História e Desenvolvimento.  

Após o término da Segunda Guerra Mundial, o advento dos aviões de combate movidos a reação provocou a obsolescência quase que imediata dos modelos a pistão, provocando assim uma corrida para o reequipamento, na Inglaterra as novas versões do Gloster Meteor nas versões posteriores F.III e F.IV passaram a dominar os aeródromos ingleses. 

Outras nações no recente pós-guerra iriam se interessar pelo modelo inglês, entre elas a Argentina, que no ano de 1947 fez uso de créditos com a Inglaterra disponíveis em sua balança comercial, para proceder a aquisição de 100 células da versão F.IV (sendo 50 usadas da RAF e 50 novas de fábrica). Neste mesmo ano iniciou-se o processo de treinamento e conversão dos pilotos argentinos na Inglaterra, porém rapidamente identificaram-se inúmeras dificuldades nestas tarefas, pois as aeronaves apesar de serem de fáceis de manejar, apresentavam certas peculiaridades em termos de conceitos de projeto (sistemática inglesa) o que poderiam gerar riscos de acidentes graves. Ciente desta necessidade, os engenheiros da Gloster Aircraft Co. iniciaram com recursos próprios os estudos para o desenvolvimento de uma versão especifica para treinamento e conversão.

A base para a criação desta variante de conversão foi o modelo F.IV, tendo sua fuselagem normal alongada para se acomodar o segundo assento, no objetivo de se obter uma boa relação de custo e benefício, esta versão adotou o conceito de simplicidade tanto em termos de avionica quanto no despojamento, não recebendo provisão para sistemas de armas e assentos ejetores.

O primeiro protótipo alçou voo em Glocester em 19 de março de 1948, e após inúmeros voos de avaliação e aceitação foi aprovado para a produção em série, tendo como primeiro contrato uma encomenda de 10 células para a Força Aérea Argentina, o desempenho e a funcionalidade no processo de treinamento e conversão agradou em muito o comando da Real Força Aérea Britânica que realizaria diversas aquisições totalizando 640 células entre os anos de 1949 e 1956. O modelo seria ainda exportado para a França, Dinamarca, Bélgica, Egito, Israel e Nova Zelandia agregando mais 62 aeronaves produzidas.

A carreira do Gloster Meteor TF-7 acompanhou lado a lado a história das versões monoplace, sendo rapidamente substituído em seu pais de origem e na França por aeronaves a jato mais modernas, tendo uma sobrevida maior em países como Brasil e Argentina até meados da década de 1960.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1950 o Ministério da Aeronáutica desenvolvia estudos para o reequipamento de sua primeira linha de aeronaves de combate, que até então era composta pelos já obsoletos Republic P-47D Thunderbolt e Curtis P-40E/K/M/N e que começavam a apresentar altos índices de disponibilidade em função de problemas no processo de aquisição de peças de reposição. Após analisar as opções existentes no mercado internacional a Força Aérea Brasileira decidiu pela aquisição de 60 células do jato inglês Gloster Meteor na versão monoplace F.8 e na versão biplace TF-7 sendo estas últimas destinadas ao treinamento e conversão.

O contrato foi celebrado em novembro de 1952, e após o acerto dos detalhes técnicos quanto a escolha dos sistemas de navegação, comunicação e armamento, teve início o envio de pilotos e técnicos para a Inglaterra para se iniciar o período de instrução e treinamento para o futuro recebimento da nova aeronave que seria efetuado inicialmente nas instalações da Roll Royce (fabricante dos motores turbo jato) e depois na sede da Gloster Aircraft Co. na cidade de Glocester. 

Ao chegarem na fábrica da Gloster a equipe brasileira pode contemplar a linha de produção da empresa, onde se encontravam em avançado estágio de montagem as células dos TF-7  Meteor que seriam destinados a Força Aérea Brasileira, que inicialmente pertenciam a uma encomenda da RAF porém foram cedidos para a FAB para  atender as exigências contratuais do processo. 

Terminada a instrução teórica, todos os pilotos brasileiros foram encaminhados ao aeródromo de Moreton Valece a fim de receber o treinamento real tutelado por instrutores da fábrica, após 10 horas de voo em aeronaves TF-7, os pilotos realizam seu primeiro voo solo encerrando assim esta fase de conversão.

Após a aceitação das aeronaves prontas pelo COMFIREM (Comissão de Fiscalização e Recebimento de Material), as células foram desmontadas e remetidas ao Brasil por via naval, tendo as duas primeiras aeronaves TF-7 chegado ao Brasil em 13 de abril de 1953, sendo seguido por mais duas unidades no dia 20 do mesmo mês. Remetidas por via terrestre para Fabrica do Galeão, onde foram montadas sob a supervisão técnica do engenheiro da Gloster o Senhor Freeman. Finalmente no dia 22 de maio de 1953 sob o comando do piloto de provas da Gloster, Sr Andrew McDowall, o TF-7 “FAB 4301” realizo o primeiro voo no Brasil de uma aeronave a reação que envergasse as cores verde e amarela.

Em agosto de 1953 teve início o programa de instrução para os pilotos do 1º/1º, 2º/1º e 3º/1º Grupo de Aviação de Caça, formando inúmeros pilotos para estas unidades, a partir de 1954 o 1º/14º Gav Esquadrão Pampa passaria a ser dotado também com jatos Meteor, sendo assim todos os TF-7 distribuídos entre as três principais unidades de caça da Força Aérea Brasileira.

Apesar de ser um ferramenta fundamental na conversão de pilotos para o F-8, o modelo biplace em questão era pouco apreciado por todos , pois como dito anteriormente sua origem remontava o antigo modelo F.IV carregando assim  todas as deficiências desta geração anterior incluindo além do citado a ausência de pressurização e estava dotado com os antigos motores Derwent 5 ao invés do Derwent 8 da versão mono,  o que lhe provia um desempenho inferior que era agravado pelo antigo desenho de cauda, e desta maneira era empregando apenas mesmo no processo de adaptação e instrução de voo por instrumentos.

No princípio do ano 1962 restavam oito células operacionais, divididas entre as três unidades de caça de primeira linha da FAB e já se vislumbrava um planejamento visando a  substituição deste vetor por modelos mais novos em uso no cenário mundial, porém em 24 de abril de 1965 o fabricante emitiu um boletim informativo que restringia as operações dos modelos F-8 e TF-7 devido a existência de desgaste estrutural, uma solução paliativa foi aplicada porém gerou uma mínima sobrevida as células , sendo que finalmente retirados da linha de frente , sendo destinado a missões de reboque de alvos. Desta maneira as últimas turmas de pilotos foram formadas no 1º/1º GAv em 1971, e o último voo deste modelo ocorreu em 7 de outubro de 1971, encerrando assim sua carreira na FAB.

Em Escala.

Para representarmos o TF-7 "FAB 4306" célula pertencente ao 1º/1º Grupo de Aviação de Caça, empregamos o modelo da Classic Airframes na escala 1/48, kit este que apresenta peças em resina que ajudam a melhorar o nível de detalhamento final do modelo, vale citar que para se configurar a versão brasileira deve-se apenas alterar as antenas do sistema ADF. Fizemos uso de decais da FCM oriundos de diversos set, com decais confeccionados pela GIIC presentes na versão F-8 produzida em resina por este mesmo fabricante.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado quando do recebimento das aeronaves em 1953, adicionado apenas a faixa verde e amarela na fuselagem apelidada de “tamborzinho de criança”, posteriormente a exemplo dos modelos F-8, os TF-7 receberam marcações de alta visibilidade em azul e vermelho chamada de “ovo estalado”, mantendo este padrão até sua desativação.


Bibliografia:

- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- O primeiro Jato Gloster Meteor - Revista Força Aérea Nº 10
- Gloster Meteor O Primeiro Jato do Brasil - Por Aparecido Camazano Alamino - Editora C&R