" Olho Nele" os Piper Grasshoper na Itália


História e Desenvolvimento.  


A origem deste modelo tem pôr o desenvolvimento do Taylor E-2 Cub no final da década de 1920, sendo construído pela empresa Taylor Aircraft sediada em Bradford na Pennsylvania., tal projeto foi patrocinado pelo industrial William T. Piper, com a finalidade de se desenvolver uma aeronave a preços acessíveis para o mercado civil norte americano. Infelizmente no ano de 1930 esta empresa faliu, obrigando o Sr Piper a comprar os ativos. O primeiro modelo a ser lançado foi o J-2, com os modelos E, F, G e H, totalizando até 1938, 1200 células. A Próxima versão a ser produzida seria a J-3 uma aeronave melhorada que seria dotada com um novo motor de 50hp que contava com um preço de venda no mercado civil a US$ 1.000,00 a unidade.

O início das hostilidades na Europa em 1939, juntamente com a crescente percepção de que os Estados Unidos em breve poderiam serem arrastados para a Segunda Guerra Mundial, resultou na formação do Programa Civil de Treinamento de Pilotos (CPTP), o vetor escolhido para este programa seria o Piper J-3 Cub que passaria a exercer a função de treinador primário.

A variante militar agora denominada inicialmente como O-59 e posteriormente L-4 Grasshoper era mecanicamente idêntica a versão militar, sendo distinguível através da utilização de uma claraboia em  Plexiglas  com efeito de estufa e janelas traseiras maiores , para melhor visibilidade. A adoção do modelo foi rápida também pela Marinha Americana e por nações aliadas, além da função de treinador primário o Grasshoper seria ainda empregado para ligação, transporte de carga leves, evacuação médica de soldados feridos.

Durante a invasão aliada da França em junho de 1944, observou-se a tendência para o emprego da aeronave em missões de observação do campo de batalha, se tornado rapidamente a plataforma ideal para observação e detecção de veículos blindados alemães escondidos, pois sua baixa velocidade de cruzeiro e alta manobrabilidade o permitiam orbitar extensas áreas do campo de batalha. Para esta missão as aeronaves eram equipadas com um sistema de rádio que era operado por um segundo tripulante que também realizava a tarefa de observador. Curiosamente algumas células chegaram a ser equipadas com prateleiras para o transporte de bazucas, operando em duplas ou quartetos, abastecendo as tropas de infantaria aliadas na linha de frente para o ataque aos tanques alemães. O mais celebre destes L-4 configurados como aviões de apoio a tropas de infantaria foi o Rosie The Rocketeer , pilotado pelo Major. Charles "Bazooka Charlie" Carpenter , a qual  foram creditados com a eliminação de seis tanques inimigos e vários carros blindados durante o seu serviço, especialmente durante a batalha de Arracourt .

Ao final da Segunda Guerra Mundial os L-4 foram responsáveis pela formação primária de 435.165 pilotos, representando cerca de 80% de todos os pilotos militares americanos, sua produção em culminou em 1947, totalizando 19.888 células, sendo que nos estágios mais emergências da guerra sua produção havia atingido a cadencia de uma aeronave a cada 20 minutos.

Depois da guerra, muitos L-4s foram vendidos como excedente no mercado civil, mas um número considerável foi mantido em serviço, tendo o modelo participado das mesmas missões durante a Guerra da Coreia, países como Brasil, Coreia do Sul, Tailândia, Inglaterra também operam o modelo em funções militares até meados da década de 1960.

Emprego no Brasil. 

No início de 1944 foi definido que o esforço de guerra brasileiro compreenderia além do envio de tropas, duas unidades de aviação, sendo uma delas dedicada a ligação e observação, para atender a esta demanda foi criada em 20 de julho de 1944 a 1º ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação) que tinha como objetivo apoiar a unidade de Artilharia Divisionária da Força Expedicionária Brasileira (FEB), atuando desta maneira em missões de ligação, observação e regulagem de tiro. 

A unidade foi formada com 11 pilotos, sendo oficiais oriundos da reserva da Força Aérea Brasileira, os treinamentos para as missões de observação foram realizados com oficiais do Exército Brasileiro no estande de tiro de Gericinó, onde foram praticados exercícios de observação durante a realização de tiros de artilharia, vale citar como fato curioso que as aeronaves empregadas eram os PT-19 que não dispunham de rádio, instrumento vital para a realização das missões reais no teatro europeu. Todo o contingente da unidade formado por 35 homens, embarcou para a Itália no dia 22 de setembro e 1944, foram transportados juntamente em navios de transporte de tropa juntamente com o 2º e 3º Escalões da FEB, a chegada na Itália no porto de Nápoles se deu em 6 de outubro do mesmo ano, empreendendo outra viagem até Livorno.

As aeronaves 10 células do modelo Piper L-4H Grasshoper foram recebidas desmontadas em San Rossere perto de Pisa, foram logo montadas pelos mecânicos do esquadrão recebendo as matriculas de 01 a 10, inicialmente mantiveram as insígnias da Força Aérea Americana, e posteriormente receberam as marcações da FAB nas laterais mantendo as marcações americanas nas asas para facilitar a identificação das tropas aliadas. Deslocada para perto da frente de batalha a 1ºELO realizou a primeira missão real de guerra decolando da pista de San Giorgio, perto de Pistóia em 13 de novembro de 1944, a partir daí a unidade começou a executar missões diárias em apoio a FEB, realizando missões antes de depois dos ataques. Apesar das terríveis condições climáticas adversas motivas por um dos mais rigorosos invernos do século XX, que congelavam os motores em voo e acumulavam gelo nas pistas, não ocasionaram acidentes operacionais. 

Durante a campanha os L-4H operaram desde Livorno, Pisa, Pistóia, Suviana e Porreta Teme, totalizando 683 missões reais realizadas pelos 11 pilotos em companhia de 11 oficiais observadores do Exército Brasileiro e 04 oficiais ingleses, felizmente nenhuma aeronave foi abatida. Após o termino das hostilidades no teatro europeu as aeronaves foram mantidas em operação realizando missões de transporte e correio aéreo, operando a partir de Piacenza em 04 de maio, depois Portalberta, perto de Milão, em 09 de maio e finalmente Bergamo em 12 de junho. 

Em 20 de julho de 1944 a unidade foi extinta por um boletim da Artilharia Divisionária do Exército Brasileiro, sendo seu pessoal realocado para suas forças originais. As células foram desmontadas e transladadas ao Brasil onde foram estocadas no Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos. Posteriormente as células foram remontadas e distribuídas a FAB e a operadores civis, sendo que 03 aeronaves foram pintadas nas cores do Exército Brasileiro, tendo como propósito o estudo de emprego do avião como posto de comunicações avançado, porém em 1959 as células remanescentes da FAB e EB foram desativadas oficialmente.

Em Escala.

Para representarmos o L-4H "FAB 09", fizemos uso kit do fabricante Hobbycraft (o modelo mais próximo seria o Sme ) na escala 1/48 , sendo necessário alterar a disposição das janelas laterais traseiras e também o teto, processo este  facilmente executável pois as duas metades da fuselagem são injetadas em plástico transparente, bastando conformar as mesmas com fita adesiva. Os decais foram obtidos do set, presente no livro " FAB na Segunda Guerra Mundial " de Luciano B. Monteiro & Sandro Dinarte , Editora Adler.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado e todas as aeronaves Piper L-4H Grasshoper em serviço na Força Aérea Americana durante a Segunda Guerra Mundial, durante este período as aeronaves operaram com marcações brasileiras e americanas, no pós-guerra este padrão foi acrescido das cores nacionais na cauda tanto na Força Aérea Brasileira quanto no Exército Brasileiro sendo este mantido até o final de sua carreira operacional no final da década de 1950.


Bibliografia :

Piper J-3 Cub   Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Piper_J-3_Cub
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Os Olhos dos Pracinhas , por Ricardo Bonalume Neto - Revista Força Aérea nº 03