Focke-Wulfs Stieglitz no Brasil


História e Desenvolvimento. 


No início da década de 1930 a Força Aérea Alemã necessitava de uma aeronave dedicada ao treinamento básico, para desenvolver as atividades de formação de novos pilotos, no esforço clandestino de recompor suas unidades áreas, que eram proibidas por vetos estabelecidos pelo Tratado de Versalhes ao final da Iº Guerra Mundial. Para se burlar este processo a estratégia foi informas que tais vetores seriam destinados a formação de pilotos civis e uso esportivo, sendo estas atividades liberadas.

A empresa Focke Wulf Flugzeugbau Gmbh foi destinada a desenvolver o modelo, ficando a cargo do projetista Kurt Tank a concepção da nova aeronave biplana com assentos em tandem (um atrás do outro), sendo sua simplicidade e funcionalidade adequadas a produção em larga escala com baixos custos.

O projeto designado como FW-44 Stieglitz (Pintassilgo) logo tomou forma, com o primeiro protótipo alçando voo no verão de 1932, testes indicaram a necessidade de aprimoramentos como o aumento da envergadura das asas, gerando assim as primeiras encomendas da versão em série para a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) que receberia a denominação de FW-44B, sendo a mesma dotada com um motor de quatro cilindros em linha refrigerado a ar invertido Argus AS8 de 120hp. Logo a operação destas primeiras unidades atestaram suas qualidades, motivando novas encomendas por parte do governo alemão.

Uma nova versão denominada FW-44C se destacaria como a principal variante de produção da aeronave, sendo equipada com um motor a pistão radial Siemens SH-14A de 7 cilindros, a esta se seguiram as versões “Eco” e “Fox” com pequenas alterações. A última variante foi a FW-44J que possuía um novo motor a pistão radial Siemens SH14A de 150 hp de 7 cilindros foi destinada à exportação sendo o modelo adotado pela Turquia, Argentina, Suíça, Iugoslávia, Suécia, Brasil, Espanha, Romênia, Polônia, Hungria, Finlândia, Colômbia, Chile, Bolívia, Bulgária, China, Áustria, Tchecoslováquia e Eslováquia. 

As forças armadas alemães empregaram em grande escala as variantes do Stieglitz de 1934 até o final da Segunda Guerra Mundial, sendo considerado o principal treinador básico da Alemanha, não existem registros exatos sobre o total de aeronaves produzidas mas estima se algo em torno de 3.000 células.

Emprego no Brasil. 

Em meados da década de 1930 a Aviação Naval Brasileira, buscava no mercado internacional um substituto para a sua já desgastada e obsoleta frota de treinadores básicos De Havilland Tiger Moth, um dos preceitos deste processo seria a produção sob licença do modelo escolhido no Brasil, visando assim estabelecer as bases de uma indústria aeronáutica nacional. 

Em 1935 uma delegação da Aviação Naval capitaneada pelo Comandante Raymundo Vasconcelos de Aboim, viajou para os Estados Unidos e Alemanha a fim de visitar diversos fabricantes de aeronaves, dentre as opções ofertadas a mais atrativa foi oferecida pela empresa Focke Wulf prevendo a produção sob licença dos modelos FW-44J para treinamento primário, FW-56 Stosser para treinamento básico e o FW-58 Weihe como treinador multi motor. Estas aeronaves seriam montadas inicialmente no Brasil por técnicos alemães, iniciando assim um gradativo processo de nacionalização de acordo com os termos de transferência de tecnologia previstos no contrato. As células seriam montadas e produzidas nas Oficinas Gerais da Aviação Naval (OGAvN) que foram construídas na Ilha do Governador no estado do Rio de Janeiro.

A primeira célula chegou no porto do Rio de Janeiro em novembro de 1936, sendo montada por técnicos alemães, esta aeronave recebeu a matricula I1Fw-146 e teve seu primeiro voo em 10 de novembro do mesmo mês, novos voos foram efetuados para fins aceitação, gerando a decisão de se contratar a produção de dois lotes de vinte aeronaves entre os anos de 1937 e 1938. A primeira célula do lote inicial voou em 8 de maio de 1937 e a última em 4 de agosto do mesmo ano. Estes aviões receberam as matriculas I1AvN-126 a I1AvN-145. O segundo lote foi produzido entre 29 de janeiro de 1938 e 25 de julho do mesmo ano, recebendo as matriculas I1AvN-148 a I1AvN-167.

As aeronaves foram destinadas a Escola de Aviação Naval, onde substituíram a partir de 1937 os Tiger Moth na 1º Divisão de Aviões de Treinamento, onde passaram a realizar as missões de treinamento básico em prol da formação de pilotos. Nesta organização as aeronaves foram distribuídas em quatro esquadrilhas denominadas 1-I-1, 2-I-1, 3-I-1 e 4-I-1. Somente duas células foram perdidas em acidentes fatais no ano de 1940, demonstrando assim mais uma vez as qualidades e facilidade de operação do modelo. 

Em 1939 a Aviação Militar do Exército Brasileiro viria a operar 2 células que foram doadas pelo governo argentino, sendo originalmente produzidas pela Fabrica Militar de Aviones, portando as matriculas 57 e 58 e foram destinadas a Escola de Aeronáutica Militar (EaeM), sendo empregados em voos de adestramento pelos oficiais desta unidade. 

Em janeiro de 1941 a criação do Ministério da Aeronáutica determinou a transferência das 38 células restantes da Aviação Naval e Aviação Militar, sendo estas aeronaves destinadas a Base Aérea do Galeão, onde seriam empregadas para o treinamento primário no II Grupamento do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). 

Os embargos determinados pelo desenvolver da Segunda Guerra Mundial, interromperam o fluxo de reposição essenciais de origem alemã, principalmente os delicados componentes do motor Siemens SH-14A, este cenário elevou rapidamente as taxas de indisponibilidade do modelo, gerando assim o processo de desativação do modelo a partir de 1945, as unidades em melhores estado foram destinadas ao Departamento de Aviação Civil (DAC), para o emprego civil junto a aeroclubes. Algumas células ainda permaneceriam em uso na FAB até fins de 1946, sendo empregados em missões de ligação como aeronaves orgânicas junto a Base Aérea do Galeão e Base Aérea de Canoas.

Em Escala.

Para representarmos o FW-44J “I1AvN 129” da Aviação Naval empregamos o antigo kit short run da Pegasus na escala 1/72, modelo este de rustica concepção que necessita da confecção de diversas peças em scracth, entre elas as hastes das asas, para brisa e sistema do trem de pouso. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM decais oriundos de diversos sets.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura das aeronaves produzidas em série empregados pela Aviação Naval, ao longo de sua carreira a cor principal foi mantida com a adoção de faixas em vermelho, azul e verde. As aeronaves operadas pela Aviação Militar do Exército e Força Aérea mantiveram a cor básica, sendo que na FAB algumas células receberam a pintura em laranja vivo de alta visibilidade semelhante ao empregado nas aeronaves PT-17 e PT-19, mantendo esta sistemática até sua baixa de serviço em 1946.


Bibliografia:

FW-44J No Brasil - Revista ASAS nº 73 - Aparecido Camazano Alamino
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha
Focke Wulf FW-44  - Wikipedia  https://en.wikipedia.org/wiki/Focke-Wulf_Fw_44