Trojans na Força Aérea Brasileira


Historia e Desenvolvimento. 


Logo após o termino da Segunda Guerra Mundial, a Forca Aérea Americana começou a considerar possíveis substitutos para sua frota de treinadores avançados T-6 Texan deflagrando assim uma concorrência entre varias empresas americanas para o desenvolvimento do projeto de uma nova aeronaves,  apos analises preliminares  de todos os concorrentes a North Americana sagrou-se vencedora com seu  projeto NA-159 que receberia a designação militar de XT-28, sendo  dotado com um motor radial Wright R-1300-7  de 800 hp, com os primeiros voos ocorrendo  a partir de 24 de setembro de 1949. 

Em meados de junho do ano seguinte o modelo agora denominado T-28A Trojan foi enviado para a  Proving Ground na base área de  Eglin na Florida, para ser submetido a voos de avaliação pelos pilotos do  3200th Fighter Test Squadron (Esquadrão de Testes em Voo), e este processo se alongou ate fins do ano de 1950, quando então o modelo foi considerado aprovado, gerando assim um primeiro contrato de fornecimento, que seriam seguidos por outros contratos ate o ano de 1957 totalizando a aquisição de 1.194 células.  

Após ser adotado como treinador primário padrão pela forca aérea, a Marinha dos Estados Unidos também demonstrou interesse pelo modelo, assinando contratos de aquisição da versão T-28B, que diferia da anterior por contar com um novo motor Wright R-1820-9 com 1425 hp, que totalizariam 489 células adquiridas, que seriam empregados não só pela Aviação Naval mas também pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Para treinamento embarcado em porta aviões a Marinha viria a adquirir ainda 266 unidades da versão T-28C, que passava a dispor de gancho de parada e outras pequenas modificações necessárias a navalizacao do modelo.

Apesar do modelo ser retirado da função de treinador primário da Forca Aérea Americana no inicio da década de 1960, o T-28 continuou a ser empregado nesta atividade ate o inicio da década de 1980 pela Marinha Americana, Guarda Costeira e Corpo de Fuzileiros Navais. A retirada de serviço da USAF gerou um volume de células excedentes em bom estado que foram transferidas a nações alinhadas com os Estados Unidos, gerando assim novas versões, entre elas a T-28D Nomad que ser originaram de conversões do T-28A Trojan realizadas pela empresa Pacific Airmotive  a partir de 1962 e  destinadas ao emprego armado em missões de reconhecimento e contra insurgência, tendo destacada atuação nos conflitos do sudeste asiático.

A Forca Aérea Francesa passaria a ser um dos maiores operadores do Trojan com a versão armada o T-28S Fennec, que se originaria da conversão de células originas do T-28A pela empresa francesa Sud Aviation, este modelo contava em seu leque de armamentos com pods de metralhadora .50, foguetes Matra de 37 mm e 62 mm, bombas de queda livre e napalm. Um total de 148 aeronaves foram convertidas e empregadas pelos franceses em conflitos regionais no Norte da África entre 1959 e 1962.

No ano de 1960 a empresa Hamilton Aircraft Company passou a oferecer no mercado civil e militar uma conversão designada T-28R Nomair  que era basicamente uma célula de T-28A com um novo motor e hélice tripá, sendo-o  Wright original de 800 hp  substituído pelo motor Cyclone 1820-56A de 1.350 hp. A versão civil recebeu a designação T-28R-2 (com canopi fixo e capacidade para até cinco pessoas) e a militar T-28R-1. O modelo, suas variantes e conversões foram operadas por 28 nações, com células ativas pelo menos até o início da década de 1990.

Emprego no Brasil. 

No inicio da década de 1960, a Marinha do Brasil incorporava seu primeiro porta aviões A-11 Minas Gerais, e necessitava dota-lo de aeronaves para o desenvolvimento da doutrina de operações embarcada, estudos foram conduzidos pelo comando da Aviação Naval, onde foram analisados inúmeros vetores destinados a esta função, a escolha tomando como princípio básico a relação de custo benefício, foi deferida em favor da aquisição de seis células usadas do modelo T-28R-1 Nomair I, junto a Hamilton Aircraft Company.

Estas aeronaves eram conversões da versão original T-28A Trojan, e a pedido da Marinha estas células foram navalizadas recebendo assim um gancho de parada instalado na parte inferior da cauda. Após seu recebimento em 1963 estas unidades já ostentando a pintura padrão das aeronaves da Marinha foram alocadas junto ao 1º Esquadrão Misto de Aviões Anti-submarino e posteriormente renomeado 1ºEsquadrão Misto de Aviões Anti-submarino e de Ataque, baseados na Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia – RJ.

Em dezembro de 1964 ocorreu o incidente de Tramandaí, quando um helicóptero da MB foi metralhado por pessoal da FAB, e uma decisão final para o destino da Aviação Naval tornou-se urgente. Em 26 de janeiro de 1965 foi promulgado o decreto Presidencial Nº 55.627 que tinha por objetivo resolver o impasse até então existente entre a marinha e aeronáutica, pela permissão ou exclusividade de operação de aeronaves de asas fixa. 

Desta maneira ficou convencionado que a aviação naval deveria ceder a Força Aérea Brasileira todas as células de seu acervo, incluindo neste grupo, cinco células do modelo North American T-28R1 Trojan.  Após serem transferidas a    2º ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação "Duelo"), as aeronaves receberam o padrão de pintura de alta visibilidade similar ao empregado pelos North American T-6G Texan, passando a portar as matriculas FAB 0681 a 0685.

Visando não prejudicar a operacionalidade em agosto de 1965 a  2º ELO foi transferira com todo seu pessoal e equipamentos para a  Base Aérea de São Pedro da Aldeia – RJ, onde contando com o apoio dos oficiais da Marinha do Brasil, os T-28 passaram a ser engajados em missões rotineiras desta unidade, que incluíam missões de apoio a Marinha do Brasil (reconhecimento e ataque simulado a embarcações) , sendo também empregadas esporadicamente em de controle aéreo avançado (FAC) em proveito do Exército Brasileiro. Vale salientar que durante toda sua curta carreira na Força Aérea Brasileira, os T-28 nunca mais voltaram a ser operados a partir do porta aviões A-11 Minas Gerais.

Sua impossibilidade de portar armamentos aliada baixa quantidade de aeronaves e aos constantes problemas no fornecimento de peças de reposição geraram índices de disponibilidades inaceitáveis para a unidade, a média de células disponíveis para operação nunca era superior a duas unidades. Este fator viria a determinar a desativação precoce dos T-28R-1 em fins de 1972, ficando a unidade somente com os modelos T-6 Texan, que também seriam substituídos a partir de 1974 pelos novos AT-25 Universal.

Em Escala.

Para representarmos o T-28R-1 “FAB 0863” empregamos o kit da Monogram que representa a versão T-28B empregada pela Marinha Americana, a opção por usarmos este modelo se deve em função que observações feitas em fotos de época apontam que esta célula possuía diferenças na entrada de ar do motor em relação as demais unidades originais, desta maneira para se compor o modelo procedemos alterações em scratch, incluindo o gancho de parada para operações embarcadas. Empregamos decais confeccionados pela FCM presentes no Set 48/05.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura de alta visibilidade adotado para as aeronaves pertencentes a 2 ºEsquadrilha de Ligação e Observação, que tinha por origem a sistemática aplicada as aeronaves de treinamento básico empregadas pela Marinha Americana. Este padrão foi mantido até a desativação das células remanescentes em 1972.



 Bibliografia :

- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto
- North American T-28 Trojan – Wikipedia
- Asas sobre os Mares Aviação Naval Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html
- North American T-28 Trojan - Poder Naval - http://www.naval.com.br/anb/ANB-aeronaves/NA_T-28/NA_T28_Trojan.html