Bird Dog Controle Aéreo Avançado na FAB


Historia e Desenvolvimento. 


No fim da década de 1950 o comando do Exército Americano emitiu junto ao mercado fornecedor uma requisição para o desenvolvimento de uma nova aeronave leve monomotor para dois tripulantes com a finalidade de desempenhar missões de ligação, observação e controle aéreo avançado para ajuste de fogo de artilharia divisionária. Esta nova aeronave teria por missão substituir nestas atividades os já obsoletos Pipers e Stinsons em operação desde a Segunda Guerra Mundial.

Para o atendimento deste projeto a Cessna  Aircraft Company  apresentou como proposta o Model 305 , que era uma derivação militar da versão civil Model 170, e tinha como principais alterações, a adoção de maiores janelas laterais inclinadas(para melhorar a observação do terreno), traseira resenhada para proporcionar uma visa direta da retaguarda, painéis transparentes sobre a cabine (similares aos encontrados no Cessna 140)e inclusão de uma porta lateral compatível com emprego de uma maca para emprego em missões de evacuação aéreo medica.

Em fins do ano de 1958, o Exército Americano firmou contrato com a Cessna para o fornecimento de 418 células do modelo agora designado L-19A Bird Dog. O primeiro protótipo (registro N41694) alçou voou em 14 de dezembro de 1949, com as primeiras entregas já ocorrendo dentro do corrente mês.

Seu batismo de fogo se deu na Guerra da Coreia, onde foram empregados em missões de controle aéreo avançado e ligação, os bons resultados operacionais obtidos motivaram o ministério de defesa americano a firmar novos contratos de produção. A partir de 1953 foram desenvolvidas novas versões com melhoramentos como hélices de velocidade constante, avionica aprimorada, peso bruto maior e reforços estruturais. Entre estas versões, a denominada OE-1 destinada a missões de observação foi deslocada para as operações iniciais no Vietnã a partir de 1962 sendo empregado pelo exército e corpo fuzileiros navais e também pela Força Aérea Sul Vietnamita, tendo participado também de missões clandestinas de controle aéreo avançado no Laos e Camboja. Sua capacidade de pouso e decolagem em curtas distancia lhe tornaram apto a ser empregado pela Força Aérea Americana em missões de busca e salvamento de pilotos abatidos atrás das linhas inimigas. Um total de 469 células foram perdidas neste conflito sendo vítimas de acidentes ou artilharia antiaérea inimiga.

A partir do início da década de 1970 os L-19 Bird Dog começaram a ser substituídos nas forças armadas americanas pelos novos Cessna O-2 Skymaster e North American OV-10 Bronco, gerando assim um excedente de células em bom estado que foram repassadas para nações aliadas entre elas Áustria, Chile, Brasil, Canada, França, Indonésia, Itália, Malta, Noruega, Paquistão, Coreia do Sul, Espanha, Taiwan e Tailândia, o modelo ainda seria produzido sob licença no Japão pela Fuji e também muitas unidades foram transferidas para operadores civis. Ao todo foram produzidas 3.413 células dispostas em 15 versões.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1950 a Força Aérea Brasileira estava desenvolvendo um processo de restruturação com a finalidade de potencializar suas atividades de suporte as demais forças armadas, entre elas o Exército Brasileiro que carecia dos meios para a realização de missões de regulagem de tiro de artilharia e observação. Para se atender a esta demanda, em 12 de dezembro de 1955 o decreto lei nº 38.295 recriava a 1º ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação), unidade esta que seria incumbida de prover ao exército os meios necessários as missões de regulagem de tiro de artilharia. As aeronaves disponíveis no inventário da FAB neste período os Piper LH-4 Grass Hoper encontravam-se no limiar de sua vida útil e não poderiam ser empregadas neste novo cenário, a busca de um novo vetor resultaria na aquisição de nove células usadas do Cessna L-19A Bird Dog oriundas dos estoques do Exército Americano que foram recebidas a em 1957.

Alocados na Base Aérea dos Afonsos no Rio de Janeiros os L-19A da 1º ELO com as matriculas FAB 3062 a 3069 passaram a desenvolver as missões de Regulagem de Tiro de Artilharia, Ligação, Observação e formação de oficiais observadores para o Exército Brasileiro. 

Na primeira metade da década de 1960 o evoluir nos movimentos comunistas no Brasil começaram a convergir para possíveis ameaças de guerrilha, na missão de se preparar para possíveis ações de combate contra as forças comunistas a FAB passaria a criar as Esquadrões de Reconhecimento e Ataque (ERA), unidades estas dedicadas a missões de contra insurgência. Foram dotadas com aeronaves North American T-6 configuradas para tarefas de ataque leve e suporte aéreo, havia ainda a necessidade de se desenvolver Controle Aéreo Avançado (FAC) e para estas atividades viriam a ser adquiridas mais 11 células do modelo L-19E Bird Dog, versão esta que diferia dos L-19A por contar com peso bruto maior e a possibilidade de empregar foguetes fumígenos de fosforo branco SCAR de 2.25 polegadas para a marcação de alvos e também dispunha de quatro pontos duros sob as asas que permitia o emprego dos Bird Dog em missões de ressuprimento a comandos na selva, efetivando o lançamento de fardos de viveres aos mesmos.

As células matriculadas FAB 3150 a 3159 e 3201 foram destinadas ao 1º ERA com sede na Base Aérea de Canoas no Rio Grande do Sul, onde se desenvolveu o conceito para emprego nas missões de Controle Aéreo Avançado, tendo sido também empregados em missões reais de combate contra a guerrilha comunista, como as operações “Papagaio, Pinguim e Carajas”, posteriormente a transformação dos ERA em EMRA (Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque) viria a promover uma realocação dos L-19E Bird Dog, sendo distribuídos ao 1º EMRA, 3º EMRA e 5º EMRA onde dariam sequencia nas missões originais antes atribuídas ao 1ºERA.

A adaptação do modelo as necessidades da Força Aérea Brasileira foram extremamente satisfatórias, motivando o Ministério da Aeronáutica a prospectar o desenvolvimento de um sucessor nacional, que culminaria da produção do L-42 Regente ELO, as primeiras entregas do novo vetor iniciaram o processo de desativação das células remanescentes dos L-19A e L-19E, sendo as ultimas desativadas em meados do ano de 1980.

Em Escala.

Para representarmos o L-19E Bird Dog "FAB 3154" pertencente ao 1ºERA, empregamos o kit da Model Usa na escala 1/48 (única opção existente nesta escala), trata-se de um modelo de fácil montagem, porém requer paciência no acabamento das peças devido ao alto índice de rebarbas de injeção no plástico, os foguetes fumígenos de fosforo branco e seus respectivos suportes foram feitos em scratch. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM presentes no set 48/09.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura dos L-19A, quando do recebimento no ano de 1957, posteriormente foram aplicadas marcações de alta visibilidade em laranja nas asas e fuselagem e também marcações em amarelo nas asas, mantendo estes esquemas até sua desativação em 1980.



Bibliografia :

- Cessna 01 Bird Dog Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Cessna_O-1_Bird_Dog
- História da Força Aérea Brasileira - Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Nas Garras do Puma – Oswaldo Claro Junior
- A Saga dos Guerreiros Polivalentes – Incaer Aparecido Camazano Alamino
- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto