"Abelhas" da Westland na Marinha Brasileira


História e Desenvolvimento. 

Em meados década de 1950 a empresa inglesa Saunders Roe iniciou o projeto para o desenvolvimento de um helicóptero leve para o emprego pelo exército britânico que receberia a designação de P.531, com a aquisição da empresa pela Westland Helicopters este projeto passaria a ser denominado inicialmente como Sprite. O Ministério de Defesa do Reino Unido introduziu mudanças no parâmetro do projeto original, visando assim também atender a uma demanda da aviação naval da Marinha Real.

O primeiro protótipo fruto destas modificações de projeto designado P.531-2 alçou voo em 09 de agosto de 1959 sendo equipado com um motor de Bristol Siddeley Nimbus, foram também executados testes com um motor Havilland Gnome, porém a versão final liberada para produção viria a ser dotada com um motor Rolls-Royce Nimbus com 1.150SHP. O primeiro modelo de série do agora renomeado Westland Scout AH-MC-1 destinado ao exército britânico seria entregue em 04 de agosto de 1960, um amplo programa de testes e avaliações foram executados demandando pequenas alterações projeto e as entregas da versão validada começaram a ser efetivadas no início de 1963.

A versão destinada a Marinha Real denominada Westland Wasp obteve seu primeiro pedido de lote pré-produção em setembro de 1961, além das capacidades normais do modelo Scout, a versão naval deveria poder portar dois torpedos leves ou cargas de profundidade. Os primeiros protótipos iniciaram os testes em 28 de outubro de 1962, sendo aprovados e liberados para a aquisição a partir de meados do ano seguinte com as primeiras células da versão HAS Mk 1 sendo entregues para a primeira unidade operadora o 829 Naval Air Squadron no início de 1964. As encomendas inglesas atingiriam o patamar de 98 células.

O Westland Wasp atendeu plenamente as demandas da Marinha Real Britânica por um helicóptero que coubesse no deck de uma fragata e ainda assim carregasse dois torpedos guiados, apesar de não contar com a suíte eletrônica dedicada as tarefas de localização dos alvos, o Wasp operava em conjunto com navios ou helicópteros Wessex HAS.3 para a vetoração dos alvos. 

O batismo de fogo do modelo ocorreu em 1972 na Guerra das Falklands – Malvinas quando os Wasp operaram embarcados em navios da Marinha Real, eles participaram do ataque ao submarino argentino ARA Santa Fé, nas proximidades da Geórgia do Sul, quando o submersível foi detectado pelo radar de um Westland Wessex, que passou a vetorar os Wasps que atacaram com cargas de profundidade e misseis ar superfície AS-12 danificando-o, forçando sua tripulação a abandona-lo.

Após o conflito os Wasp começaram a ser substituídos pelas primeiras versões do Westland Lynx, a última célula deixou o serviço ativo em 1988 com descomissionamento da última fragata Type 12. O modelo ainda foi exportado para o emprego nas marinhas da Africa do Sul, Nova Zelandia , Holanda, Indonésia, Malasia e Brasil, com sua produção final atingindo a quantidade de 133 aeronaves.

Emprego no Brasil. 

Em meados da década de 1960, o plano de reequipamento da esquadra da Marinha do Brasil contemplava a adoção de navios de escolta dotados da capacidade de operarem helicópteros, algo até então inédito pois a frota brasileira estava composta em sua maioria por navios oriundos da Segunda Guerra Mundial, não projetados para operarem aeronaves orgânicas de asas rotativas.

Após análise de diversos vetores existentes, foi decidida pela aquisição do modelo inglês Westland  Wasp HAS MK1, que melhor atendia as especificações determinadas, pois possuía as dimensões e características operacionais adequadas as realidades da marinha. As primeiras três células novas de fábrica, foram recebidas em 20 de abril 1966 e receberam as matriculas 7015, 7016 e 7017 (a aeronave 7016 de número serial F.9615, sofreu um acidente antes da entrega e foi substituída por outra transferida da Marinha Britânica F.9542). 

O recebimento dos navios contratorpedeiros americanos classe “Gearing” e “Allen M. Sumner”, possibilitou o adestramento e operação dos Wasp  na  realização de missões embarcadas sendo alocados junto ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU1), tendo o primeiro pouso realizado em 18 de abril de 1975 no convoo  do contratorpedeiro D-26 Mariz Barros. A estes se seguiram muitos, não só nos contratorpedeiros mas também nos cruzadores C-12 Tamandaré e C-11 Barroso.

Apesar de seu pequeno porte, o que impedia a instalação e equipamentos de detecção autônoma de submarinos e navios, os agora designados SH-2 “Abelha” foram empregados em missões de ataque ASW e AS, sendo vetorados até seus alvos, sendo armados com torpedos MK-44 ou MK-46. Em 1977 foram adquiridas mais sete unidades que foram desativas da Marinha Real Britânica, sendo recebidas até o ano seguinte, receberam as matriculas 7036 a 7042, apenas a aeronave 7036 foi perdida em um acidente no mar quando operava a bordo do contratorpedeiro D-25 Marcilio Dias em 21 de novembro de 1977.

O recebimento das primeiras células dos novos Westland/Aerospatiale HAS 21 Lynx a partir de 1978, determinaram a alteração da missão principal do modelo, passando o mesmo a ser focado em missões de transporte e ligação recebendo a designação de UH-2, passando a ser embarcados no porta aviões A-11 Minas Gerais onde operaram como guarda aeronaves, porém coube ao modelo a honra de ser a primeira aeronave militar brasileira a voar na Antártida em 1983 durante a realização da missão Operantar I, operando a partir do navio de apoio oceanográfico H-42 Barão de Teffé.

O desgaste e o atrito operacional reduziram a frota para três células, e após 25 anos o UH-2 Abelha encerrou sua carreira com a portaria Nº0007 em 03 de outubro de 1990, oficializando a baixa das aeronaves 7016, 7039 e 7040, sendo as mesmas preservadas no Musal e no complexo aeronaval de São Pedro da Aldeia.

Em Escala.

Para representarmos o  UH-2  Wasp "7039"  empregamos o antigo  e raríssimo kit Fujimi na escala 1/48, sendo que este modelo apresenta um nível espartano no detalhamento , necessitando assim de uma aprimoramento em scratch tanto no interior quanto no grupo motriz . Fizemos uso de decais confeccionados  pela  FCM presentes no Set 48/11, sendo esta edição há muito tempo descontinuada pelo fabricante.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregados nas aeronaves Westland Wasp HAS MK1, sendo adotado no fim da década de 1980, como derivação deste esquema temos as células que provisoriamente empregaram as marcações de alta visibilidade em vermelho, quando em operação Proantar (Programa Antártico Brasileiro).


Bibliografia :

- Westland Wasp -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Wasp
- Asas sobre os Mares Aviação Naval Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html
- Westland HAS MK-21 - Aviação Naval Brasileira - http://www.naval.com.br/anb/ANB-aeronaves/Westland_Wasp/Westland_Wasp.htm