Avengers na Marinha Brasileira


História e Desenvolvimento. 

O início das hostilidades entre os Estados Unidos e Japão, trouxe ao comando de defesa americano uma visão sobre a necessidade de se desenvolver novos vetores de combate, pois o emprego dos modelos em uso até então se demonstraram inadequados, como exemplo podemos citar os torpedeiros Douglas TBD Devastador que tiveram uma performance extremamente ruim nos primeiros embates no teatro de operações do pacifico, se tornando claro a necessidade de substituição imediata.

Felizmente em 1940 a marinha americana havia assinado com a Grumman Aircraft Engineerin Corporation, um contrato para o desenvolvimento e produção de dois protótipos de um novo torpedeiro embarcado para três tripulantes, tendo como requisitos básicos baixo custo, facilidade de produção em alta escala e robustez, como o tempo hábil para o projeto era curto, os projetistas empregaram como base o recém criado F-4F3  Wildcat, permitindo além da comunalidade de alguns itens a simplicidade de projeto.

O primeiro protótipo alçou voo em 01 de agosto de 1941 e era dotado com um motor Wrigth R-2600-8 Cyclone com 1700 hp, tendo os três tripulantes acomodados em tandem, sob um longo canopy envidraçado, como armamento defensivo possuía uma metralhadora .50 montada sob o lado direito do capo, uma Browming.30 instalada em um corte ventral na parte inferior e outra .50 alojada em uma torre dorsal elétrica giratória , no fim do canopy, operada pelo rádio operador, apresentava um excelente desempenho muito superior ao seu antecessor.

Em dezembro e 1941 a Grumman recebia seu primeiro contrato de produção englobando 286 aeronaves , o modelo já batizado como  Avenger teve seu batismo de fogo na batalha de Midway, onde infelizmente os resultados não foram promissores, porém este início pouco auspicioso não desencorajou a Marinha Americana e, nos combates seguintes o Avenger se tornou extremamente apreciado por suas tripulações , participando de todas as grandes e decisivas batalhas do Pacifico, tendo também destaca atuação na campanha anti submarino contra as flotilhas alemães de submarinos no oceano Atlântico, operando também sob as cores da aviação da marinha real britânica. 

Ao todo foram produzidos pela Grumman e pela General Motors um total de 9.839 unidades até fins de 1945, se apresentando 22 diferentes versões entre elas células dedicadas a ataque noturno, transporte, antissubmarino, alerta aéreo antecipado e reboque de alvos. Após o termino da Segunda Guerra Mundial seis países entre eles Canada, França, Holanda, Japão, Uruguai e Brasil ser tornaram operadores de cerca de 200 unidade de diversos modelos do Avenger, permanecendo em uso até início da década de 1960.

Emprego no Brasil. 

No ano de 1960 a Marinha Brasileira estava prestes a incorporar o seu primeiro porta aviões ligeiro NAeL Minas Gerais, que havia sido adquirido da Inglaterra e modernizado na Holanda , estando em sua fase final de testes no mar, neste mesmo período os TBM Avenger em uso na marinha holandesa estavam em processo de devolução aos Estados Unidos pois haviam sido adquiridos através do Programa de Assistência Mutua de Defesa (MDAP), porém firmou se um convenio com a Marinha Americana, para que dois destes aviões na versão TBM-3E, fossem cedidos à Marinha do Brasil para serem empregados exclusivamente em atividades de manobra a bordo (alinhamento na catapulta, hangaragem , etc), houve uma solicitação por parte do Governo Norte-americano para que as mesmas não voassem, embora as aeronaves tivessem condições de fazê-lo. Durante os treinamentos um oficial da marinha holandesa, ensinou aos brasileiros todas as técnicas para o uso, tais como sistemas mecânicos, elétricos e hidráulicos, bem como taxiamento , recolhimento das asas e várias corridas de decolagem.

As duas aeronaves com números de registro BuAer 531412 e BuAer 85549 foram recebidas na Holanda sendo, transportadas ao Brasil no próprio porta aviões Minas Gerais, vale salientar que também foi recebida uma célula do modelo TBM-3S. Sua chegada no Brasil se deu no dia 2 de fevereiro de 1961. Já no pais as células receberam as matriculas de 1 á 3 , sendo posteriormente rematriculados como N-501 , N-502 e N-503 (TBM-3S). A versão TBM-3E representou o principal submodelo, do qual se constituiu a maior produção da General Motors, apresentando como diferenciais o refinamento nos cowl-flaps, extinção do posto da metralhadora ventral, reposicionamento do gancho de parada e menor peso bruto. 

Em 10 de setembro de 1961, decidiu-se que o N-502 decolaria do porta aviões Minas Gerais que estava fundeado próximo a localidade de Ponta Negra, com destino a recém-inaugurada Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia. Porém durante a decolagem a aeronave deslizou pela esquerda do convés e acabou-se precipitando no mar, sem que o piloto, Capitão-Tenente Mario Costa, sofresse maiores ferimentos, resultando somente na perda material. A duas unidades restantes (TBM-3E e TBM-S) foram desmontados e transportados por terra até a base aérea, onde operaram com limitações devido a escassez de peças de reposição.

Em 26 de janeiro de 1965 quando da promulgação do decreto lei nº55.627, que determinava a Marinha somente a operação de aeronaves de asas rotativas embarcadas, as duas células foram disponibilizadas a Força Aérea Brasileira, que não se interessou pelos Avenger, sendo o modelo  TBM-3S desmontado e vendido como sucata e o TBM-3E preservado temporariamente junto ao Quartel dos Marinheiros no Rio de Janeiro.

Em Escala.

Para representarmos o TBM-3E Avenger " Marinha 502 ", fizemos uso do excelente kit da Hobby Boss na escala 1/48, que além de ser extremamente detalhado, possibilita a montagem da aeronave com as asas dobradas. Para se adequar a versão operada pela marinha brasileira é necessário suprimir o posto do metralhador ventral da aeronave, empregamos decais confeccionados pelo fabricante FCM presentes no set 48/07. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura original da marinha holandesa quando do recebimento das aeronaves, sendo apenas substituídos os cocares pelas nacionais. Posteriormente receberam o mesmo esquema de pintura em tons de cinza empregado nas aeronaves de asas rotativas.




Bibliografia :

-  Grumman Avenger  - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Grumman_TBF_Avenger
-  Grumman/General Motors Avenger TBM-3 - http://www.naval.com.br
-  Avenger , o Classico Naval Anonimo no Brasil – Rogério Terlizzi Revista Asas Nº 7
-  Aviação Naval Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html