Os Hueys " Delta " na Força Áerea Brasileira


História e Desenvolvimento. 

Em 1952 , o comando do Exercito Americano identificou a necessidade de um novo helicóptero para atuar em missões de Evacuação Medica (MEDEVAC), para assim suprir as deficiências dos modelos empregado ate então nesta e outras missões, os parâmetros do projeto foram revisados em novembro de 1953 e assim foi aberto uma concorrência de desenvolvimento que contou com a participação de 20 empresas, onde apos analises foram definidos dois pre selecionados sendo a Bell Helicopter com seu modelo 204 e a Kaman Aircraft com uma nova versão do H-43. A Bell sagrou-se vencedora em 23 de fevereiro de 1955 com a encomenda para produção de três protótipos que seriam designados como XH-40.

Em 20 de outubro de 1956 alçou voo o primeiro protótipo do XH-40 , que apos avaliações foram seguidos por mais unidades para testes no ano seguinte, e marco de 1960 a Bell receberia o primeiro contrato de produção em serie para 100 células que seriam designadas HU-1A  e batizadas como Iroquis em alusão as tribos indígenas americanas, porem seria mais a frente popularmente conhecido como Huey.

Logo apos o modelo começar a entrar em serviço, foi solicitado a Bell estudos para melhoria na potencia da aeronave, surgindo assim em 1960 o UH-1B que estava dotado com um novo Lycoming T53-L-5 do motor produzindo 960 shp, tendo ainda capacidade de transporte aumentada para sete passageiros. Em 1961 iniciou-se o desenvolvimento da versão UH-1C que visava eliminar deficiências aerodinâmicas observadas nas versões armadas, mais uma vez o motor foi substituído por um Lycoming  T53-L-11 com 1.100 shp, incorporando também um novo desenho de cauda com estabilizador.

Apesar de satisfeito com os resultados operacionais dos Huey, o Exercito Americano almeja por uma aeronave com maior capacidade de transporte de tropas, visando atender a esta demanda a Bell esticou a fuselagem do UH-1B em 104 cm, e em vez de portas laterais deslizantes do modelo anterior com uma única janela, portas maiores foram equipados que tinha duas janelas, esta nova variante passava a dispor de 15 assentos. O protótipo do novo modelo agora designado 205 teve seu primeiro voo em 16 de agosto de 1961, a nova versão foi designada como UH-1D recebendo uma encomenda inicial de 205 unidades.

Como plataforma armada o UH-1D "Huey" podia ser armado com metralhadoras M60D instaladas nas portas laterais, M60Cs de tiro frontal no sistema M-59, canhão de 20mm, lançadores de foguetes de 70mm ou 40mm, lançadores de misseis M11 ou M22, se tornando a primeira aeronave de asas rotativas voltada ao ataque leve e apoio aproximado 

A partir de 1963 os UH-1D começaram a ser empregados maciçamente no conflito do Vietnã, chegando a envolver mais 3.000 células do modelo em todo o conflito gerando uma nova doutrina de operação de aeronaves de assas rotativas que foram empregues em missões de evacuação aero médica, busca e salvamento, assalto aéreo, transporte de tropas, apoio aéreo aproximado, comando e controle e transporte de cargas. 

Considerado o helicóptero mais utilizado no mundo, se mantem em produção ininterrupta desde a década de 1950, ja foram produzidas mais de 9.000 células, sendo operado por mais de 40 países em diversas versões, apesar de ter sido substituído em grande numero pelos Blackhawk a partir do final da década de 1990, tudo indica que os Huey ainda estarão em operamos pelos menos ate o final da primeira metade do século.

Emprego no Brasil. 

No inicio da década de 1960 a Força Aérea Brasileira almejava ampliar o leque de utilização de aeronaves de asas rotativas mais notadamente para dotar os EMRA (Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque) com uma plataforma de transporte e ataque leve, apos analisar no mercado internacional as opções existentes, o Ministério da Aeronáutica em 1964,  decidiu pela aquisição de 14 células novas de fabrica  do modelo Bell 205 na variante UH-1D Huey, sendo que seis seriam configuradas na versão de busca e salvamento e as demais na versão padrão.

As aeronaves começaram a serem recebidas em 1967 e foram matriculadas como FAB 8536 a 8543 sendo inicialmente os alocados nos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), mais notadamente nos 4º e 5º Esquadrões. Entre o ano de recebimento até 1970 as aeronaves foram empregadas exclusivamente me missões de transporte , ligação e reconhecimento, tendo ainda destaca participação no projeto RADAM na Amazônia Brasileira, porém seu viés guerreiro começaria a se tornar operacional a partir do ano seguinte quando as equipagens passaram a serem adestradas no emprego do UH-1D como plataforma de armas para missões de ataque, sendo este treinamento ministrado por instrutores do  2º/10º GAv Esquadrão Pelicano, com o primeiro emprego de armas real ocorrendo em 1972.

A criação dos EMRA, baseava no atendimento da demanda de missões de cooperação da segurança interna no pais, sendo emprego em missões reais de contra insurgência contra a guerrilha de esquerda comunista principalmente durante o conflito do Araguaia e em exercícios como a serie Manobra Real. Todas esta experiencia viria a criar dentro da Força Aérea Brasileira a doutrina de operação de aeronaves de asas rotativas como plataforma tática.

Em 1972 a Força Aérea Brasileira viria a receber 32 células novas de fábrica da versão UH-1H, e o 4º EMRA cedeu suas aeronaves para o 5º EMRA, pois sua menor potência do motor o classificou como ideal para operar no clima frio do Rio Grande do Sul.

Em fins de 1974 após as células remanescentes dos SH-1D e UH-1D foram submetidas a um processo de modernização que abrangeu além do up grade de aniônicos e sistemas de comunicações, a troca por um novo motor Lycoming  T53-L-13B com 1.400 shp, elevando o modelo para a versão UH-1H e  se mantivera em operação ate finais da década de 1990, quando foram substituídos por um novo lote de aeronaves usadas adquiridas do Exercito Americano.

Em Escala.

Para representarmos o UH-1D "FAB 8541" optamos pelo antigo modelo da ESCI na escala 1/48, para compormos a versão empregada pela FAB é necessário se confeccionar em scratch o set de armamentos (metralhadoras e lança foguetes) e as antenas de rádio da cauda. Empregamos decais FCM pertencentes a diversos sets e utilizamos as bolachas do 5º EMRA confeccionadas por nosso amigo Cesar Hares.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o terceiro padrão de pintura empregado, pelas aeronaves pertencentes ao 4º e 5º EMRA, no padrão tático americano “Southeast Asia” em dois tons de verde, marrom e branco, anteriormente operam também com esquemas em dois tons de verde, sendo o último padrão mantido até os dias de hoje nas ultimas unidades dos UH-1H operacionais.



Bibliografia:

- Bell UH-1D/H   Wikipédia - https://en.wikipedia.org/wiki/Bell_UH-1_Iroquois
- 2º/10º GAV Esquadrão Pelicano 50 anos, por Mauro Lins de Barros e Oswaldo Claro Junior
- História da Força Aérea Brasileira por, Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html