Viatura de Combate Antiaérea M3 / XM3


História e Desenvolvimento. 


No início da participação americana na segunda guerra mundial, as diversas versões do carro leve de combate M-3 Stuart estavam presentes em todos os fronts, estando em serviço também em nações aliadas. As experiências obtidas em campo nos primeiros dois anos do conflito evidenciavam deficiências básicas no projeto, sendo baseadas no baixo desempenho do canhão de 37 mm e limitação de sua capacidade blindada frente as ameaças dos blindados alemães e japoneses.

A alta cadencia de produção em série mediante os contratos firmados anteriormente, levaram a necessidade de maximizar o potencial de todo o equipamento produzido para o esforço de guerra, desta maneira iniciaram-se estudos visando o desenvolvimento de novas variantes com base nos carros já entregues, ou ainda modificar veículos em produção devido a facilidade da plataforma original em receber alterações como foi observado anteriormente no desenvolvimento das versões do carro de combate leve.

Entre estas variantes podemos citar as que realmente foram produzidas ou convertidas a partir de carros já existentes:

M3/M5 Command Tank. – Carro Comando;

T8 Reconnaissance Vehicle – Carro de Reconhecimento leve sob esteiras;

M5 Dozer – Veiculo de Engenharia 

M8/M8A1 Scott – Obuseiro autopropulsado de 75mm;

M3 Maxson Turret – Versão Anti Aérea dotada com 4 metralhadoras .50;

Stuart Race – Versão britânica para reconhecimento;

M3/M3A1 Flame Gun -  Carro lancha chamas.

Estas versões proporcionaram um novo alento na contribuição da família M3/M5 Stuart no esforço de guerra aliado. No período pós-guerra os volumes excedentes foram transferidos a nações amigas que no anseio por estender a vida útil de seus veículos procederam inúmeros processos de modernizações ou conversões. Garantindo assim uma sobrevida até pelo menos meados da década de 1980.

Emprego no Brasil. 

Em fins da década de 1960, a frota brasileira de carros de combate leve M3/M3A1 Stuart apresentava itens críticos de disponibilidade, devido à falta de peças de reposição. Os primeiros estudos referentes ao aproveitamento destes veículos foram iniciados no mesmo período por equipes do Parque Regional de Motomecanizacao de Santa Maria, gerando assim a primeira versão de trabalho mediante a conversão de um M3 em um trator rebocador de 13 toneladas que se manteve na ativa até meados da década de 1980. 

Outro ponto de desenvolvimento destes estudos fora iniciado pela equipe do 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL), que procedeu a recuperação de várias unidades do modelo que constavam em seu inventario. Em 1969 a visita de uma delegação israelense que tinha como objetivo a aquisição de plataformas militares antigas para conversão de novas versões despertou a atenção do Coronel Oscar de Abreu Paiva (comandante do 1ºBCCL)para as possibilidades de emprego dos blindados M3/M3A1 Stuart existentes.

Partindo do conceito original desenvolvido nos Estados Unidos em 1943, quando se projetou e produziu um M3 Stuart para aplicação antiaérea dotado como uma torre elétrica M45 Quadmout. Desta maneira o carro de matricula “EB11-487” foi escolhido para o processo, tendo sua torre do canhão de 37 mm removida, em seu lugar seria adaptado um reparo de metralhadoras antiaéreas quadruplo M55 de calibre .50 que fora fornecido pelo 5º Grupamento de Artilharia Antiaérea 90mm (Gcan90 AAe). Todo o processo de conversão foi executado nas oficinas do 1ºBCCL com o apoio dos técnicos da outra unidade, sendo considerada um sucesso do ponto de vista de funcionamentos dos sistemas elétricos e mecânicos. Apesar de ter participado de testes e exercícios, a falta de interesse do comando do exército levou ao cancelamento do projeto, sendo o veículo restaurado a sua condição original.

O conceito de um veículo antiaéreo nacional ressurgiria no início dos anos de 1980, quando já com base nas plataformas convertidas ao padrão X1, levando ao estudo para o desenvolvimento da “Viatura de Combate Antiaérea” XM3D1, que visava obter uma viatura blindada antiaérea orgânica das unidades de artilharia antiaérea das brigadas motorizadas. Como armamento o modelo estava dotado de um reparo antiaéreo M55 que fora nacionalizado pela empresa Lysan Industria e Comercio de Maquinas e Equipamentos Ltda que contava com quatro metralhadoras Browning.50, havendo ainda estudo para a adoção uma torre com dois canhões antiaéreos de 20mm.

Uma nova versão denominada XM3E1 fora projetada inicialmente para operar com um canhão de 40mm/L60, porém devido a restrições o carro foi dotado novamente com o mesmo reparo quadruplo empregado no XM3D1. Um ponto interessante a analisar e que os dois modelos diferiram da versão anterior desenvolvida pelo 1ºBCCL, pois estes possuíam uma nova carroceria desenvolvida para suportar a nova motorização, esta nova configuração ocasionou no descolamento da torre para a esquerda para assim evitar contato com o eixo cardan que estava disposto na diagonal e impedia a instalação dos sistemas elétricos.

Os protótipos foram exaustivamente testados e avaliados pelo Exército Brasileiro, porém a baixa cadencia de fogo e o alcance das armas se mostraram inadequados face a ameaça de aeronaves a reação existentes naquela época, assim sendo o projeto foi cancelado em definitivo. Os dois protótipos foram encaminhados a Campo de Provas da Restinga do Marambaia, sendo que o XM3E1 ainda permaneceu na ativa até recentemente sendo empregado como trator rebocador, o XM3D1 foi empregado como alvo estático durante a campanha de avaliação dos blindados Centauro em 2001.

Em Escala.

Para representarmos o M-3 Stuart Antiaéreo “EB11-487” convertido pelo 1 º BCCL fizemos uso do excelente kit da Academy na escala 1/35, acrescendo no modelo o reparo quadruplo M-55 da Dragon (Quad Gun Trailler), conversão está muito simples e rápida. Empregamos decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados em todos os modelos dos M3/A1 Stuart operados pelo Exército Brasileiro, sendo as cores originais da fábrica denominadas “ Vitrolack Cor 7043-P-12”, sendo este esquema mantido durante toda a sua carreira.

Bibliografia :

- O Stuart no Brasil – Helio Higuchi, Reginaldo Bachi e Paulo R. Bastos Jr.
- M-3 Stuart Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Stuart
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos