Um anfíbio alemão à serviço da FEB


História e Desenvolvimento. 

O desenvolvimento do veículo leve anfíbio alemão tem origem na criação do Kubelwagen no  ano de 1934, quando Adolf Hitler sugeriu ao engenheiro Ferdinand Porsche o desenvolvimento de uma versão militar do carro de passeio Volkswagen Type 62, porém foi somente em janeiro de 1938 que o alto comando alemão solicitou o projeto de veículo leve de transporte militar, tivesse como parâmetros o baixo custo  e facilidade de produção em larga escala, podendo também ser operado em ambientes fora de estrada.

O modelo de produção em série batizado como Type 82 teve início em fevereiro de 1940, atingindo rapidamente altos patamares de entrega, os bons resultados operacionais levaram a equipe de projetos a desenvolver variantes entre eles o Type 86 e o Type 87 Command Car, sendo as duas voltadas ao transporte de oficiais e socorro médico.

Vislumbrando novos potenciais para a plataforma original e baseado em relatos colhidos em campo na invasão da Polonia, o brilhante designer Erwin Komenda, membro da equipe de Ferdinand Porsche, iniciou a pedido da Wehrmacht (Exército) desenvolvimento de uma versão anfíbia de fácil operação, onde, para se  fazer a transição do meio terrestre para o aquático bastava apenas o motorista manualmente abaixar o conjunto da hélice que ficava sobre o capo do motor traseiro quando nesta posição através de um sistema de acoplamento simples o eixo do virabrequim transferia a este conjunto todo o esforço motriz. A navegação era proporcionada pela operação do próprio volante, empregando as rodas dianteiras como leme.

O primeiro protótipo designado como Type 128 Schwimmwagen (carro nadador)ficou pronto em 21 de setembro de 1940 , foi baseado na versão original do Kubelwagen , recebendo um chassi alongado através de processo de soldagem e amortecedores reforçados, testes operacionais, no entanto apresentaram inúmeras deficiências graves, entre elas baixa nível de rigidez e torção que ocasionavam quebras constantes na suspensão dianteira, como este nível de falha na podia ser aceito em um veículo anfíbio todo o projeto teve de ser revisto gerando assim uma nova versão a Type 166 Schwimmwagen que passaria a ser equipado também com um novo motor mais potente (VW 1.13)que logo seria também padronizado para os demais modelo da família Kubelwagen , que após exaustivos testes  foi aceita pelo alto comando alemão , autorizando assim sua construção em série.

A produção foi destinada à fábrica da Volkswagen em Fallersleben / Wolfsburg e as instalações da Porsche em Stuttgart, com a estrutura monobloco (ou melhor cascos) produzidos por Ambi Budd em Berlim, estas duas plantas industriais produziram entre os anos de 1941 e 1944 um total de 15.584 unidades, estando presente em todos os fronts da Segunda Guerra Mundial, detendo ainda o recorde de produção em larga escala de veículos anfíbios militares. Estima se que atualmente existem apenas 163 veículos conservados, sendo que somente 13 em condições operacionais, sendo um deles mantido por um entusiasta e colecionador brasileiro. 

Emprego no Brasil. 

Quando do início da campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália, uma das constatações observadas pelo comando brasileiro, era o precário cenário de infraestrutura de pontes e viadutos, pois a maioria havia sido destruída ou danificada pelos combates que antecederam a chegada de nossos efetivos, estes cenários constantemente trazia problemas a mobilidade quanto a transporte e reconhecimento avançado terrestre, pois foram recebidos junto com os demais veículos apenas cinco unidades do Ford Jeep GPA, quantidade esta completamente  desproporcional quando comparado ao total de jeeps convencionais fornecidos.

Durante o avançar das tropas brasileiras no território italiano, soldados da FEB encontraram um Type 166 Schwimmwagen abandonado por efetivos alemães em processo de retirada, após rápida avaliação contatou-se que o mesmo estava em perfeitas condições mecânicas e estruturais, sendo assim imediatamente incorporado a força mecanizada, visando assim ajudar a diminuir a falta de veículos anfíbios.

Não existem muitos registros ou muitas fotografias sobre a operação deste modelo pelo Exército Brasileiro no front Italiano, mas acredita-se que devido sua robustez natural e facilidade de manutenção o mesmo este operacional até os últimos dias da campanha da FEB, sendo posteriormente descartado após o termino do conflito juntamente com outros veículos e materiais.

Em Escala.

Para representarmos o Schwimmwagen "Brasileiro" empregamos o kit da Tamiya na escala 1/35, modelo de fácil montagem, porém com carência de detalhamentos, não há necessidade de se proceder nenhuma alteração para compormos o veículo empregado pelas tropas brasileiras. Fizemos uso de decais produzidos pela Decals e Books, presentes como   complemento do livro " FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura original da Wehrmacht ( Dark Green / Dark Yellow / Red Brow ), sendo acrescidas apenas as matriculas do mesmo " 5A CAP 440" e " 28F GP 29 ", informações suplementares dizem que posteriormente o mesmo foi pintado de verde oliva antes do termino das hostilidades visando assim evitar problemas com erros a identificação por tropas aliadas.

Bibliografia: 

- "FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro
- Volkswagen Schwimmwagen - Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Schwimmwagen
- VW Type 166 - http://www.gieldaklasykow.pl/volkswagen-typ-166-schwimmwagen-1944-niemcy/