Os primeiros Sioux no Brasil


História e Desenvolvimento. 


O desenvolvimento de aeronaves de asas rotativas apresentou grandes avanços perto do fim da Segunda Guerra Mundial, tendo as primeiras aeronaves do modelo R-4 tendo sido enviadas para o front do Pacifico meses antes do termino das hostilidades, apesar disto ficou notório o potencial da aeronave, levando isto em conta a Bell Helicopter CO. acelerou o desenvolvimento de um modelo destinado ao treinamento e conversão de pilotos, em 08 de junho de 1945, alçava os céus o primeiro protótipo do Bell 47, modelo desenvolvido pelo engenheiro  Arthur M.Young, após alterações na versão inicial receberia em 1946 a homologação para o Mercado civil ( Bell 47A )e as primeiras encomendas sendo inicialmente de  28 células  pelo exército  americano  a serem empregadas e atividades de avaliação e desenvolvimento que receberam a designação de YR-13 / HTL-1 , tanto os modelos civil e militar apresentavam a fuselagem recoberta por lona. Seguindo esta aquisição, a Guarda Costeira Americana e a Marinha também encomendaram lotes iniciais para a operação em suas unidades. 

Seu batismo de fogo ocorreu na Guerra da Coreia, quando a primeiras células foram enviadas para desempenharem missões de ligação, observação aérea, busca e salvamento e evacuação aeromédica, recebendo no exército a designação H-13 Sioux. Paralelamente em seu pais de origem, o modelo de tornaria a espinha dorsal na formação de pilotos de asas rotativas, se valendo muito da facilidade de operação e aprendizado dos cadetes e a  robustez e manutenção da aeronave.

A versão Delta, foi a primeira a empregar o canopy  em bolha , moldado em plexiglass melhorando assim as características de visibilidade para o piloto e observador, e também a fazer uso da cauda em estrutura de treliça, sendo esta a versão mais comum nos estágios iniciais do conflito, ficando imortalizada em registros fotográficos e filmes de época, valendo ainda a menção que coube a este modelo na evacuação aeromédica de mais de 15.000 soldados durante o conflito.

No ano de 1953 a produção havia atingido a casa das 1.000 células entregues, nesta fase foram implementadas as linhas   destinadas ao mercado civil. O modelo e suas variantes aperfeiçoadas que se seguiram a versão "Delta" se mantiveram em produção até o ano de 1973, alcançando 4.212 unidades militares e 2.600 para o mercado civil (produzidos sob licença ainda pela Westland e Kawasaki), seu emprego militar abrangeu  mais de 25 forças armadas de diversos países sendo ainda possível que algumas células ainda estejam  em operação até hoje.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1950 a Forca Aérea Brasileira, desenvolvia seu primeiro grande plano de modernização, englobando pela primeira vez a aquisição de aeronaves de asas rotativas, desta maneira no início do ano de 1953 foram adquiridas novas de fábrica quatro células da versão Bell 47D1, que foram enviadas ao Brasil por via marítima, sendo então montados na então Fábrica do Galeão, por técnicos da Bell e da própria FGL. Receberam na FAB a designação H-13D e as matriculas 8500 a 8503, infelizmente uma das aeronaves foi inutilizada no translado, não sendo aconselhável sua recuperação.

Seu emprego inicial além de desenvolver a doutrina de operação de aeronaves de asas rotativas, foi concentrado em atividades de transporte VIP, junto a Seção de Aeronaves de Transporte e depois Esquadrão de Transporte Especial (ETE) unidade esta que no futuro seria o embrião para a formação do Grupo de Transporte Especial. Quando de seu emprego em missões de busca e salvamento (SALVAEREO) os H-13D eram equipados com kits flutuadores intercambiáveis (equipamento até então inédito no pais) com os esquis de pouso normal, podendo receber ainda um par de macas externos, destinados ao transporte de feridos.

Em 1956 o recebimento dos novos modelos Bell 47J especializados em transporte VIP , possibilitaram a concentração dos H-13D em missões de busca e salvamento, neste perfil os H-13D do ETE, foram transferidos para Quartel General da 3º Zona Aérea no Rio de Janeiro (QG3ºZAé),onde operam até março de 1958, quando foram distribuídos para a 2º Esquadrilha de Ligação e Observação (2ºELO), sediada na Base Aérea do Galeão, onde permaneceram até setembro do mesmo ano, ocasião em que foram destinados ao 2º/10º Grupo de Aviação (2º/10ºGAv), sediado em Cumbica, Guarulhos (SP) onde seriam empregados na construção da doutrina de missões SAR empregando aparelhos de asas rotativas, antecedendo assim a chegada dos H-19D. 

No ano de 1959 a célula "FAB 8500" sofreu um acidente com perda total, desta maneira as duas unidades remanescentes seguiram em serviço até o ano de 1965 quando foram recolhidas ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PAAF), onde foram convertidas a versão Bel 47G2 (englobando principalmente a troca do grupo motriz), passando a ostentar a designação H-13H, seguindo em operação até o ano de 1982 quando estas duas unidades modernizadas foram retiradas do serviço ativo.

Em Escala.

Para representarmos o H-13D " FAB 8502 " empregamos o raro kit da Italeri na escala 1/48, modelo este muito dificil de ser encontrado em lojas convencionais , como não  há no mercado um set de decais especifico para o modelo nacional, optamos por representar uma célula pertencente aos efetivos Salvaero da 3º Zona Aérea - Rio de Janeiro em meados da década de 1950, empregamos decais oriundos de diversos sets da FCM.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nos H-13D, pois foram originalmente recebidos na cor azul que era mais adequada as missões de transporte VIP, posteriormente receberam este padrão, se mantendo em uso até o processo de modernização, quando passaram a ostentar o padrão de pintura em amarelo das demais versões do modelo em uso na FAB.



Bibliografia :
Força Aérea Brasileira - http://fab.mil.br/portal/capa/index.php
Historia da Força Aérea Brasileia , Prof Rudnei Dias Cunha -  http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
Esquadrao Pelicano 50 anos de Historia - Mauro Lins Barros & Oswaldo Cruz
Revista ASAS nº 63 " Bell 47 na Força Aérea Brasileira " - Aparecido Camazano Alamino