Os primeiros Boeing´s no Brasil - I


História e Desenvolvimento. 

Em 1928 a Boeing Aircraft  estava na fase final do desenvolvimento de um novo caça que fora projetado com objetivo d substituir os então obsoletos F2B e F3B em serviço na aviação naval da Marinha Americana. O primeiro protótipo alçou voo em 28 de junho do mesmo ano, apresentando boas marcas pelas suas melhores dimensões e sua excelente manobrabilidade. O novo modelo logo despertou a atenção dos oficiais da USN por sua excelente performance e velocidade, foram realizadas inúmeras avaliações, resultando assim em uma encomenda inicial de 27 células.

O Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), também apresentou interesse pelo modelo, gerando assim uma versão especifica denominada pelo fabricante como Model 89 e P-12 pela USAAC, gerando uma encomenda de 10 unidades para avaliação, que seriam complementas por um novo pedido com 90 células da versão P-12B que começaram a ser entregues a partir de 10 de junho de 1929, este processo seria seguido de uma nova compra de 131 unidade da variante  P-12C, sendo que somente 96 foram entregues e os demais 35 já vieram como P-12D. A partir desta versão , houve um upgrade das células já produzidas para a versão P-12E (Boeing Model 234 ou F-4B-4 na Marinha Americana). Ainda houve uma encomenda de mais 135 P-12E para a USAAC em 03 de março de março de 1931, sendo recebidos até maio de 1932. A última variante do P-12 foi a “Fox” contemplando 25 unidades, totalizando um total de 366 P-12 operados por esta força.

Seu armamento consistia de duas metralhadoras Colt Browning de 0.30 polegadas instaladas na parte superior do nariz, atirando sincronizadas com a hélice  e dispunha também de dois suportes subalares para emprego de bombas de até 52 kg, podiam ainda ser equipados com um tanque de combustível suplementar ventral que permitia estender sua autonomia de voo para até 1.000 km.

Foram produzidos 586 Boeing P-12/F4B de todas as suas variantes, o modelo foi substituído na USAAC pelo novo Boeing P-26 que passaram a ser incorporados entre 1934 e 1935. Cabe a menção que o P-12 foi o último biplano de caça empregado pelo USAAC, estando em uso até 1941 principalmente em missões de treinamento e instrução em solo. Versões para exportação denominadas modelo 256 e 267 foram entregues as forças militares de países como Espanha, China, Filipinas, Tailândia e Brasil.

Emprego no Brasil. 

A Revolução Constitucionalista de 1932 evidenciou que as forças militares brasileiras não dispunham de meios aéreos de combate adequados a realidade do cenário bélico da época, gerando assim a necessidade emergencial de renovação da frota de aeronaves de caça, esta demanda seria atendida a partir de fins do mesmo ano, quando foram adquiridas 14 células novas de fábrica do Boeing Model 256 , sendo esta variante idêntica aos F-4B-4 operados pela aviação naval da Marinha Americana. Estas aeronaves foram distribuídas na ordem de seis células para a Aviação Naval e oito para a Aviação Militar.

Na Marinha tais aparelhos foram designados como C1B-33 á C1B-38, portando os símbolos de identificação das flotilhas de 1-C-1 á 1-C-6 (sendo 1 = 1º Divisão  , C = Caça e 1 a 6 o número individual de cada aeronave). Os novos aviões foram destinados a 1º Divisão de Aviões de Combate, que fora criada em 02 de janeiro de 1933 na base aérea do Galeão no Rio de Janeiro. Em 1934 em decorrência da Guerra do Chaco entre Paraguai e Bolívia, quatro aeronaves foram deslocadas para a fronteira do Mato Grosso com a Bolívia, ficando baseados na Base Naval de Ladário (atual Mato Grosso do Sul), de onde realizaram missões de patrulha e defesa aérea das regiões de fronteira.

Em 1935 os aparelhos remanescentes foram subordinados ao recém-criado Grupo de Observação de Combate, tendo sua identificação alterada, novamente em novembro do mesmo ano as aeronaves passaram a integrar o Grupo Misto de de Aviação Naval dentro da estrutura da 1º Flotilha de Aviões de Combate, onde permaneceram até janeiro de 1941, quando as duas últimas células operacionais foram incorporadas a Força Aérea Brasileira, recebendo as matriculas FAB-01 e FAB-02.

As oito unidades destinada a Aviação Militar foram destinadas a equipar o 1º Grupo do 1º Regimento de Aviação (1ºRAv), baseado no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, no Exército estes aviões foram designados como P-12, empregando inicialmente como matriculas os números de série de fabricação, adotando depois as matriculas de 1-100 a 1-106, tendo em vista que uma aeronave já havia sido perdida em acidente. Em 1939 as cinco células remanescentes foram transferidas para o 2º Grupo do 5º Regimento de Aviação (5ºRAv) baseado em Curitiba no Paraná, onde operam até janeiro de 1941, quando então passaram para a FAB.

A criação da Força Aérea Brasileira em 20 de janeiro de 1941 assistiu a transferência das células remanescentes dos Boeing 256 da Aviação Militar e Aviação Naval, sendo todos concentrados no 5ºRAv em Curitiba, e em 03 de dezembro de 1945 foram declarados obsoletos , sendo desativados entre 1946 e 1949.

Em Escala.

Para representarmos o Boeing 256 F4B-4 matrícula “1-C-1" da Aviação Naval da Marinha do Brasil, fizemos uso do kit da Classic Airframes na escala 1/48 (única opção existente nesta escala, e cada dia mais raro de se encontrar no mercao devido ao encerramento das atividades do produtor) , modelo este de fácil montagem e que apresentas detalhamentos interessantes em resina. Empregamos decais confeccionados pela FCM presentes no set 48/07B.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregados nas aeronaves Boeing 256 F4B-4 da Aviação Naval, esquema este que foi alterado a  partir de 10 de junho de 1940 com a adoção de cores diferentes na carenagem dos motores, este padrão seria novamente alterado a partir de 1941 com sua transferência para a FAB.


Bibliografia :

Boeing P-12 -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Boeing_P-12
- Os Boeing 256 e 267 no Brasil, por  Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 54
- Asas sobre os Mares Aviação Naval Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html