Jeeps Anfíbios em operação no Brasil


História e Desenvolvimento. 

No início da década de 1940, as empresas Ford Motors e Bantam , estavam envolvidas na produção dos primeiros modelos do veículo Jeep GPA, analisando as possibilidade de múltiplo emprego da plataforma original , a  Comissão de Defesa Nacional de Defesa e  Pesquisa abriu parâmetros técnicos para o desenvolvimento de uma versão para um veículo leve anfíbio 4X4, pois observou-se na Europa que o avançar do conflito proporcionou a destruição de muitas pontes e viadutos, fatores este que poderiam retardar o avanço das tropas aliadas motorizadas, por isto se fazia necessário a criação de um carro anfíbio que pudesse transpor estes obstáculos. 

Um dos inspiradores deste projeto foi o engenheiro e designer Roderick Stephens Jr. Sparkman & Stephens Inc, empresa especializada no projeto e produção de iates (que anteriormente havia participado do projeto DUWK), sobre o comando da equipe de projetistas os dois primeiros protótipos ficaram prontos em fins de 1941, sendo submetidos a inúmeros testes em comparação com protótipos concorrentes desenvolvidos  pela empresa  Marmon-Herrington Company, no final da analise o desempenho superior e o fator de comunalidade de linha de produção e peças de reposição, levaram a Ford a vencer a concorrência gerando assim um contrato de produção em larga escala a partir de janeiro de 1942

Este novo veículo viria a receber a designação Jeep G.P.A 4X4(G - Goverment, P-Distância entre eixos de 80 polegadas e A – Amphibian), partindo da plataforma estendida do Jeep padrão,  o GPA dispunha de um casco naval muito semelhante aos dos caminhões DUWK, composto de placas de aço soldadas, seu painel de controle diferia por contar com os comandos para as operações 2WD / 4WD, oi-range / lo-range, controle de leme e hélice de impulso, dispondo ainda de  um guincho elétrico e uma ancora. 

Rapidamente foram disponibilizados as forças americanas presentes em todos os teatros de operações, e o emprego em situações reais de combate apontaram inúmeras deficiências de desempenho quando em condução na versão anfíbia, principalmente em aguas agitadas, quando havia o risco do veículo afundar devido a entrada de agua pela parte superior, esta dificuldade comprometeu uma de suas principais missões que seria o de apoiar o desembarque anfíbio de soldados entre os navios de transporte de tropas e as praias. Esta deficiência gerou a paralisação da produção seriada em 1943, contabilizando apenas 12.778 unidades produzidas, sendo grande parte fornecida a nações aliadas, principalmente União Soviética, Canada, Inglaterra, França Livre e Brasil. No Pós Guerra a União Soviética produziu sua versão local denominada GAZ 46 MAV, que seria exportada a vários países alinhados ao bloco socialista durante as décadas de 1940 e 1950.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1940, o alinhamento do Brasil frente ao esforço aliado, nos proporcionou a adesão a Lei de Empréstimos e Arrendamentos (Leand Lease Bill Act), gerando assim contratos de fornecimento de modernos equipamentos e veículos militares que começaram a ser recebidos a partir de 1942. No início de 1944 foram encomendadas 18 unidades usadas do Ford Jeep GPA, sendo entregues cinco veículos diretamente aos efetivos da Força Expedicionária Brasileira na Itália, e a demais recebidas no Brasil no início do ano de 1945.

No teatro de operações italiano os GPA´s da FEB foram distribuídos junto as unidades de infantaria motorizada e reconhecimento, sendo assim muitas vezes empregados em patrulhas de exploração e reconhecimento, se valendo da capacidade anfíbia para transpor rios e lagos devido a inexistência de pontes, ao termino do conflito todos os cinco veículos foram despachados ao Brasil, juntamente com os demais carros e equipamentos empregados, sendo incorporados as forças regulares do EB.

Nos pós-guerra mais 68 unidades foram recebidas sendo direcionadas no Exército os Regimento de Cavalaria Mecanizados , foram recebidos também mais  18 veículos destinados  ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil que foram alocadas junto ao Batalhão de Viaturas Anfíbias, para em conjuntos com os recém recebidos DUWK desenvolver a doutrina de operações de desembarque de tropas. Tanto como no Exército como na Marinha os Ford Jeep GPA, tiveram uma grande participação no adestramento de operações anfíbias. No início da década de 1970 o advento do recebimento de novos veículos anfíbios nas duas forças e sua obsolescência natural, vieram a decretar sua desativação restando apenas algumas unidades preservadas em museus ou em unidades que as operaram durante quase quarenta anos. 

Em Escala.

Para representarmos o Ford G.P.A " EB 23-164 “ pertencente ao 2º REC MEC, empregamos o excelente kit da Tamiya na escala 1/35, modelo este de fácil montagem e excelente nível de detalhamento. Complementamos o conjunto com decais do fabricante Eletric Products presentes no Set "Veículos Militares Brasileiros 1944 - 1982 ".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados em todos os Ford Jeep GPA operados tanto pela Força Expedicionária Brasileira, quanto pelas unidades do Exército Brasileiro no pós-guerra, mantendo este padrão até sua desativação, salientamos que a Marinha Brasileira empregou outro padrão de pintura e suas unidades quando em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais.


Bibliografia:


- Jeep Willis MB - http://www.willysmb.com.br/
- FEB na Segunda Guerra Mundial - Luciano Barbosa Monteiro
- Ford GPA - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Ford_GPA
- Exército Brasileiro - http://www.exercito.gov.br