Embraer Bandeirulha


História e Desenvolvimento. 


Em meados da década de 1970, os Lockheed P-15 Neptune alocados junto ao 1º/7º Grupo de Aviação “Orugan” sediado em Salvador, chegavam ao limiar de suas vidas útil, sendo assim necessária uma substituição urgente, neste cenário os principais candidatos seriam os P-3 Orion, porém o alto custo de aquisição e operação tornavam esta opção proibitiva para a Força Aérea Brasileira naquele período. 

Como alternativa o Ministério da Aeronáutica solicitou a Embraer o desenvolvimento de uma aeronave de patrulha baseada na consagrada plataforma do EMB-110 Bandeirante, que já contava com 158 células entregues a FAB, a favor desta opção pesava o baixo custo de aquisição e a continuidade ao estimulo da indústria nacional de defesa.

A proposta da Embraer foi apresentada em 1975 com a designação de EMB-111 Bandeirante Patrulha, basicamente as modificações incluíam a instalação de um radar Eaton AN/APS-128 Super Searcher, em um nariz alongado, motores mais potentes, asas reforçadas dotadas de tanques suplementares (os mesmos do AT-26 Xavante) nas pontas das asas e quatro cabides subalares para o lançamento de foguetes de 127 mm, casulos de foguetes de 70mm, equipamentos na fuselagem para o lançamento de marcadores navais, granadas fumigenas e botes salva vidas infláveis, a exemplo dos demais aviões de patrulha naval, o modelo foi dotando ainda com um farol de busca de 50 milhões de candelas instalado no bordo de ataque da asa direita. Como consequência destas alterações, o peso máximo na decolagem foi aumentado em 1.100kg em relação ao C-95 de transporte.

Após analises e discussões e apesar do P-95 Bandeirante Patrulha ser uma aeronave bem menos capaz que seu antecessor (em termos de performance e capacidade de transporte de armamentos), a Força Aérea Brasileira deu sinal verde para continuação do projeto, com o primeiro voo ocorrendo em agosto de 1977 e logo após concluir seu extenso programa de ensaios de voo o modelo foi liberado para produção em série.

Além do Brasil o P-95 seria entre 1977 e 1978 adotado ainda pela Armada do Chile em uma encomenda de seis células dotadas de sistema completo de anticongelamento no bordo de ataque das asas, logo após o Gabão viria a encomendar uma unidade, porém o modelo viria a sofrer seu batismo de fogo durante o auge do conflito das Falklands / Malvinas, quando a Armada Argentina arrendou emergencialmente duas unidades do P-95 para assim substituir  os últimos P-2V Neptune retirados do serviço ativo durante a campanha contra a Inglaterra devido ao avançado estado de obsolescência, receberam as cores e marcações nacionais deste pais, sendo posteriormente devolvidos a Embraer para uma completa revisão após o termino do conflito. Ao todo foram produzidas 29 unidades até o ano de 1981.

Emprego no Brasil. 

Após a conclusão do programa de ensaio em voo do modelo original, o Ministério da Aeronáutica procedeu a encomenda de doze células, sendo que as três primeiras foram entregues ao 1º/7º Grupo de Aviação “Orugan” em 11 de abril de 1978, apesar de como já citado o modelo não atender a todos os anseios de performance e capacidade bélica, a adoção dos P-95 Bandeirulha, contribuíram em muito para a modernização da aviação de patrulha no Brasil, se baseando principalmente nas funcionalidades do radar AN/APS – 128, empregado em missões de vigilância costeira, busca, salvamento, navegação, e apoio na elaboração de carta meteorológica. Sendo este sistema capaz de detectar um alvo de 150 m² a cerca de 100 quilômetros de distância, mesmo em mares agitados, contava ainda com um transceptor Collins 618T-3B em HF/AM/SSB/CW, dois transceptores VHF Collins 618M-3, duas bússolas giromagnéticas Sperry C-14, dois receptores de ADF Bendix DFA-74A, dois receptores VOR/ILS/Marker Beacon Collins VIR-31A, um transponder de IFF Collins AN/APX-92, um VHF/DF Collins DF-301E, um rádio-altímetro Bendix ALA-51, um sistema de navegação inercial Litton LN-33 e Piloto automático Bendix M4-C,representando assim um salto tecnológico em avionica quando comparado ao seu antecessor americano.

Neste período toda a frota de P-95 estava concentrada em Salvador, sendo quatro células emprestadas ao 2º/10ºGAv Esquadrão Pelicano entre os anos de 1980 e 1981, para serem empregados em missões de busca e salvamento, no aguardo da chegada da versão especializada o SC-95 Bandeirante SAR. Em 1982 a disponibilidade das células permitiu criar um novo esquadrão de patrulha o 2º/7º “Phoenix” a ser baseado na cidade de Florianópolis, permitindo assim uma maior cobertura do litoral brasileiro.

Em meados da década de 1980 a Força Aérea Brasileira no anseio de melhorar suas capacidades de patrulha e esclarecimento marítimo encomendou a Embraer uma nova versão da aeronave, tendo como diferencial a plataforma aprimorada do Bandeirante C-95C, esta nova variante recebeu a designação de P-95B, através da assinatura de um contrato para o fornecimento de 10 células.   

 O P-95B por sua vez era outra classe de aeronave. O radar AN/APS-128 foi substituído por um moderno THORN EMI Super Searcher apresentado publicamente em 1982. Este radar apresenta capacidade Track While Scan (TWS - acompanha o alvo sem ter de parar de buscar no resto do espaço aéreo), contava ainda com uma nova suíte avionica dispondo de sistemas  Thomson-CSF DR 2000A Mk II /Dalia 1000A Mk II (MAGE - Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica), Collins EFIS-74, ADI-84, Piloto-automático APS-65 e o Sistema de navegação Omega Canadian Marconi CMA 771 Mk III. Este grande up grade de sistemas gerou a necessidade de uma padronização da frota criando uma nova versão que receberia a designação de P-95A, unindo a plataforma original a eletrônica moderna do Bandeirulha “Bravo”. Tanto a fiação quanto as cambagens tiveram de ser refeitas e os novos módulos aviônicos foram inseridos nas estantes internas pré-existentes nos P-95.A adoção do sistema de Guerra Eletrônica ESM Thomson-CSF (hoje Thales) DR2000/Dalia no modelo Bravo modificou o emprego da aeronave e deu um novo fôlego ao Bandeirulha, agora como plataforma ELINT/SIGINT (Electronic/Signals Intelligence – Monitoramento de emissões eletromagnéticas).

Novamente a ampliação de células, permitiu no ano de 1990 a criação de uma nova unidade o 3º/7º “Netuno” baseado em Belém, melhorando a cobertura na região norte do pais. A última unidade a receber o Bandeirante Patrulha foi o 2º/1º Grupo de Aviação Embarcada que recebeu em 1992 quatro P-95A, de início para complementar e, eventualmente substituir os UP-16 e P-16 Tracker. Depois da desativação desta unidade e a criação do 4º/7º GAv “Cardeal” em 1988 estas aeronaves foram alocadas na nova unidade.

Entre os anos de 2007 e 2008 o comando da aeronáutica iniciou estudos para modernização de uma parte de sua frota dos modelos Bandeirante Cargo / Patrulha, visando assim além de atualizar a avionica, permitir seu emprego por no mínimo 20 anos, nascia assim o projeto do P-95BM, visando modernizar 8 células, padronizando os sistemas de missão com os mesmos empregados nos recém recebidos P-3AM Orion, incluindo neste processo a substituição de seus radares pelos novos  Selex Seaspray 5000E de abertura sintética ( AESA Active Electronically Scanned Array) ,adoção novos sistemas de navegação e comunicação sendo dispostos no formato Glass Cockpit, a primeira unidade entregue foi  FAB 7103 em 15 de setembro de 2015.

Em Escala.

Para representarmos o P-95B "FAB 7106", empregamos o excelente kit em resina na escala 1/72 produzido pela Liberty Quality Kits, modelo que prima pela qualidade de acabamento em suas peças, sendo dotado de mascaras para o cockpit e janelas da aeronave . Empregamos decais originais o modelo 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados nas aeronaves Embraer  EMB -111/ P-95  em todas as  versões em operação na Força Aérea Brasileira, entre os anos de 1978 e 2015, as células modernizadas passam a ostentar um novo padrão de baixa visibilidade.


Bibliografia :

- Centro Histórico da Embraer - http://www.centrohistoricoembraer.com.br/ 
- História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Bandeirulha o Patrulheiro da Embraer – Alide http://www.alide.com.br/artigos/emb111/index.htm
- Os Cardeais 1º Grupo de Avião Embarcada e 4º/7º Grupo de Aviação - Mauro Lins de Barros - Editora Adler