Um VBTT de Peso no Exército Brasileiro



História e Desenvolvimento.

No início da década de 1950 o Exército americano buscava um sucessor para seu veículo padrão de transporte de tropas  o M-75, para isso emitiu requisitos técnicos para uma concorrência visando assim aquisição de 6.300 unidades, a empresa vencedora deste processo foi a FMC (Food Machinery and Chemical Corporation) com seu projeto T-59 tendo construido dois protótipos que foram avaliados exaustivamente durante a concorrência . 

Umas das primícias dos requisitos originais do projeto era o de proporcionar um baixo custo de produção , para isso foi empregado um grande número de componentes do carro de combate M-41 Walker Buldog, além de se utilizar como solução econômica,   dois motores comerciais  a gasolina GMC-302, que geravam em conjunto 7.200 hp, sendo este grupo motriz  ligado a uma transmissão hidramática 301MG. Seu conceito contemplava ainda a capacidade de operação anfíbia, sendo dotado com sistema de vedação de borracha em todas as portas e escotilhas, desenvolvendo na agua uma velocidade máxima de 6,9km/h, seu grande porte lhe proporcionava uma excelente capacidade de transporte de soldados ou carga, sendo possível inclusive, acomodar um jeep internamente.

As primeiras unidades do agora denominado M-59 APC, foram recebidas a partir de abril de 1953 nas unidades do Exército Americano, para desenvolvimento de doutrinas de operação deste novo veículo. Este emprego denotou uma grave deficiência relacionada a potência que se mostrava insuficiente devido ao seu alto peso de deslocamento, gerando uma velocidade máxima de 32km/h e uma baixa autonomia na ordem 150km, o que impedia eu emprego em conjunto com os demais veículos blindados no campo de batalha. Somado a esta deficiência, pesava ainda contra o M-59 a ausência de uma blindagem eficiente, estando assim facilmente vulnerável contra munições de médio calibre empregadas por países pertencentes ao bloco soviético.

A partir de 1957 foram produzidas algumas centenas de unidades de uma nova versão porta morteiro, denominada M-84 , sendo dotado com um morteiro 4.2 com uma tripulação de seis homens, apresentava um peso de deslocamento de 21.400 kg, superior a sua versão original por transportar toda a munição, novamente seu desempenho em campo foi avaliado como insatisfatório, estas constatações levaram ao encerramento da produção de todos os modelos da família em fins de 1960.

Em ambas as versões, as características negativas de desempenho determinaram sua substituição pelos novos APC M-113 (modelo onde foram aplicados diversos conceitos desenvolvidos a partir do projeto do M-59) a partir de fins da década de 1960. O Advento da introdução deste novo APC determinou o repasse dos veículos para as unidades de Reserva Guarda Nacional onde permaneceriam na ativa até o início dos anos 1980, os excedentes da frota foram repassados a nações amigas como, Etiópia, Brasil, Grécia, Líbano, Turquia, Vietnã do Sul e Venezuela, onde se mantiveram em operação até o início da década de 1990.

Emprego no Brasil. 

Em agosto de 1960 o Acordo Militar Brasil - Estados Unidos começa a ser efetivado através do recebimento de veículos blindados oriundos dos estoques do  Exército Americano (United States .Army), entre eles estavam 20 unidades do modelo M-59 na versão A1, que se diferenciava do padrão  original por dispor do periscópio M-17 e dispositivo infravermelho M-19 para condução do veiculo em ambiente noturno ou com as escotilhas fechadas.  , sendo este um veiculo completamente inovador nas fileiras do Exército Brasileiro, pois até esta data, todo o transporte de tropas em veículos blindados  estava baseado nos obsoletos M-2/M-3/M-5 Half Tracks Americanos, recebidos durante a Segunda Guerra Mundial no termos do Lend & Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), modelos que não eram mais adequados ao cenário bélico, principalmente por não fornecer uma proteção adequada aos infantes.

Apesar dos reduzidos lotes recebidos, estes novos veículos foram alocados em alguns regimentos de cavalaria mecanizada, onde tiveram o importante papel de desenvolver a doutrina de emprego destes tipos de carros de transporte de tropas, junto a forca blindada do Exército Brasileiro.

A exemplo do ocorrido junto as operações no Exército Americano, o M-59 se mostrou inadequado em operar em conjunto com os carros de combate M-41 Walker Buldog, que foram recebidos no mesmo período, a esta deficiência foi agravada por problemas na infraestrutura viária do pais que dificultavam as operações de deslocamento. O advento da chegada dos novos modelos M-113 em fins de 1967 determinou o repasse dos M-59 a tarefas de treinamento em unidades localizadas no sul do pais. As últimas unidades foram desativadas oficialmente das fileiras do Exército Brasileiro em 1982. Algumas unidades foram preservadas em museus ou unidades do EB, e o restante vendido como sucata.

Em Escala.

Para representarmos o M-59 " EB 10-414"  pertencente ao 12º Regimento de Cavalaria Mecanizada, partimos do kit original da Tamiya na escala 1/35 fazendo uso apenas da base, rodas, suspensão, esteiras e acessórios, construindo todo o restante em scratch, detalhes referentes a este processo e todas suas etapas, podem ser vistos em nossa secção de reviews "PROJETO M-59"  Empregamos decais produzidos pela Eletric Products, presentes no set  "Veículos  Militares Brasileiros 1944 - 1982 ".
O esquema de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura aplicado em todas as unidades do modelo M-59A1 recebidas pelo Exército Brasileiro, mantendo estas marcações até o encerramento de sua carreira no Brasil



Bibliografia :

- Blindados no Brasil Volume I,  -  por Expedito Carlos S. Bastos
- Tanks Encyclopedia www.tanks-encyclopedia.com/coldwar/US/M59_APC.php
- M-59 APC Wikipédia  - http://en.wikipedia.org/wiki/M59_(APC)