Turbo Cardeais - Tracker P-16H


História e Desenvolvimento. 

No fim da década de 1970, a família de aeronaves embarcadas especializadas em guerra anti submarina e transporte Grumman Tracker / Trader , já haviam sido completamente substituídas na Marinha Americana por aeronaves de uma nova geração com propulsão a jato ou turbo hélice, com um total de 1.284 células produzidas o modelo ainda estava em operação em diversas nações e está desativação em seu pais de origem gerou uma migração para o meio civil, principalmente em operações de combate a incêndio. Este novo descortinar de possibilidades de emprego levou o fabricante a estudar um processo de modernização visando assim prolongar a vida útil do modelo, criando um nicho de mercado voltado a programas de modernização.

Paralelamente alguns operadores militares buscavam uma solução para a substituição de seus efetivos da família Tracker, porém o substituto natural o S-3 Viking era demasiado caro para a aquisição e operação e tão pouco estava disponível para a venda, desta maneira a solução mais economicamente viável seria o emprego também de um processo de remotorização e modernização do projeto original . No esteio destas demandas empresas como a própria Grumman Aerosapce, IMP Gruop Halifix e a Israel Aircrat Industries, começaram em meados da década de 1980 a oferecer pacotes de modernização da aeronave aos mercados civis e militar.

As primeiras conversões se seguiram em células voltadas ao mercado civil para conversão em aeronaves bombeiro, sendo seguidas por programas de modernização para a Marinha Argentina e Força Aérea de Taiwan , incluindo neste processo a troca dos motores originais a pistão por turbo hélices Garrett TPE331 ou Pratt & Whitney PT6-A, retrofit estrutural e modernização de avionica.

As primeiras unidades foram entregues no início da década de 1990 e ainda se mantém em uso tanto no mercado civil como militar, em fins do ano de 2010 a Marinha Brasileira anunciou a aquisição de oito células usadas da versão  C-1 Trader ,uma variante carrier-onboard delivery (COD) do S-2 Tracker , que deverão ser modernizadas nos mesmos moldes dos programas anteriores, permitindo assim que a família Tracker/Trader se permaneça na ativa mesmo depois de mais de 60 anos do voo do primeiro protótipo.

Emprego no Brasil. 

Em fins da década de 1980, apesar do alto estado de proficiência das equipagens embarcadas da FAB, seu principal vetor o Grumman Tracker começava a mostrar sinais de cansaço, apresentando como principal deficiência seu grupo motriz, que era composto por dois motores a pistão Wright R-1820-82AW, os quais não se encontravam mais em produção há mais de 20 anos, tornando assim obtenção de sobressalentes um grande desafio. Neste contexto surgiria a ideia de modernização das células atuai, dotando-as com motores turboélices que traria com vantagem adicional a possibilidade e se aumentar a potência e reduzir o peso bruto, ambas as caraterísticas cruciais para o desempenho em operações embarcadas.

Desta maneira foram conduzidos em 1987, estudos pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e pela FAB, definindo a viabilidade do projeto objetivado, um dos pontos interessantes deste estudo, era a busca por uma maior padronização de componentes nos vetores da Força Aérea Brasileira, optando  pela adoção de motores Pratt-Whitney PT-6A67CF de 1550 HP com hélices compostas de 5 pás Hartzell, sendo este motor compatível com os motores empregados pela frota de aeronaves Bandeirante e Bandeirante Patrulha. A aplicação prática deste projeto demandou a abertura de uma licitação em 1988, tendo como empresa vencedora a canadense IMP Group de Halifax, com um custo total de de USD 40.000.000,00, prevendo a conversão de 12 células. licitação em 1988,

O projeto final foi desenvolvido por este fornecedor, envolvendo a reconstrução completa das naceles e berços dos motores, mantendo-se o plano e o eixo das hélices, modernização do sistema elétrico, hidráulico e pneumático, instalação de sistema de ar condicionado. Estas mudanças influenciaram no centro de gravidade da aeronave sendo necessário a inclusão de um lastro de 500 kg de chumbo no nariz.

Como protótipo do projeto foi escolhido o P-16E "FAB 7036", sendo enviado para o Canadá em 6 de fevereiro de 1989, tendo efetuado o primeiro voo de teste em 14 de junho de 1990 nas instalações do fabricante em Halifax, passando posteriormente nos Estados Unidos por um período de avaliação e testes operacionais junto a Naval Air Engineering Station Lakehurst em New Jersey, após este processo seguiu para a Base Aérea de Santa Cruz em 24 de dezembro de 1990.

Já no Brasil novos ensaios foram conduzidos, obtendo entre percalços naturais (aeronaves modernizadas com mais de 20 anos de uso), resultados satisfatórios, possibilitando assim o Ministério da Aeronáutica a iniciar uma segunda fase do projeto que consistia na atualização de toda a aviônica , tendo como vencedor a empresa francesa Thomson CSF. Já em 1991 foram conduzidos novos ensaios em operações embarcadas no Porta Aviões Minas Gerais com resultados plenos e motivadores.

Infelizmente dificuldades de ordem técnica e gerenciamento de processos de responsabilidade do fabricante assolaram o projeto P-16H, combinando ainda dificuldades orçamentárias do Ministério da Aeronáutica na presente época, fatores críticos que viriam a encerrar assim prematuramente em 1996 esta alternativa extremamente viável de se modernizar um excelente vetor embarcado.

Em Escala.

Para representarmos o Turbo Tracker P-16H "FAB 7036", fizemos uso do modelo nacional do fabricante GIIC em resina na escala 1/48, sendo esta única opção disponível no mercado para este modelo convertido, o review completo deste kit pode ser visto aqui. Empregamos decais confeccionados pela FCM presentes no set 48/42 e os numerais originários do set do próprio modelo.



O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados nas aeronaves Grumman P-16 em operação na Força Aérea Brasileira, sendo que a célula aqui apresentada apresentou dois padrões de marcações nacionais no leme durante sua carreira, o que pode ser observado nas fotos de época. 



Bibliografia :

- Os Cardeais 1º Grupo de Avião Embarcada e 4º/7º Grupo de Aviação - Mauro Lins de Barros - Editora Adler
- História da Força Aérea Brasileira , Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Grumman S-2 Tracker – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Grumman_S-2_Tracker
- Poder Naval Notícias - http://www.naval.com.br/blog/2010/08/12/marinha-adquire-08-aeronaves-c-1a-trader/