Super Puma Naval na Marinha do Brasil


História e Desenvolvimento.

Em 1974, Aérospatiale, empresa francesa aeroespacial, iniciou o desenvolvimento de um novo helicóptero de transporte de porte médio com base no seu modelo SA 330 Puma, anunciando o projeto conceitual em seu estande na edição de 1975 do Paris Air Show. Enquanto o novo projeto apesar de apresentar lay out similar ao AS 330 Puma , dispunha de inúmeros melhoramento e inovações entre eles  adoção dos novos e mais potentes motores Turbomeca Makila , que geravam cada um 1877 hp, para propelir o rotor principal composto de quatro pás, sendo desenvolvido para resistir a danos . Possuía ainda como diferencial uma maior extensão da fuselagem, construída de forma mais robusta para resistir ao choque e danos de batalha, recebeu a adoção de uma barbatana ventral sob a cauda e um nariz alongado para acomodar um novo radar meteorológico.

Um protótipo de pré-produção, o SA 331, modificado a partir de uma célula SA 330 com motores Makila e uma nova caixa de velocidades, voou em 5 de setembro de 1977, visando assim testar o desempenho em voo do modelo, os experimentos nestas células geraram o primeiro protótipo do Super Puma, que fez seu vôo inaugural em 13 de setembro de 1978, sendo seguido por mais cinco protótipos. Em comparação ao modelo anterior SA 330 Puma , o AS 330 Super Puma apresentou melhores índices de desempenho, consumo de combustível e estabilidade em voo.

A partir de 1980 o Super Puma começou a ser entregue a seus operadores militares, paralelamente a Aerospatiale, desenvolveu sua versão civil que passou a ser comercializada a partir de 1981, sendo entregue a empresas de transporte em 12 países, já a versão militar composta por aeronaves dedicadas ao transporte, anti superfície, anti submarino e VIP , foi vendida a 38 nações, totalizando 536 células construídas até fins da década de 1990. O sucesso deste modelo foi confirmado ainda pelo desenvolvimento de novas versões, entre elas a Cougar e a Caracal que se mantém em produção até a atualidade.

Emprego no Brasil. 

Encarregada de prover os meios aéreos necessários às operações anfíbias, a Força Aeronaval passou toda a década de 1970 e os primeiros anos da década seguinte, suprindo esta necessidade com os poucos Sikorsky S-61D Sea King então pertencentes ao 1º Esquadrão de Helicópteros Anti Submarino ( HS-1 ) e os Augusta ASH-3D Sea King , que posteriormente se juntaram àquele esquadrão. As dificuldades em desconfigurar, mesmo que temporariamente uma ou mais aeronaves para efetuar a operação de transporte, era um procedimento ineficiente e pouco produtivo. Ao remover todo o sofisticado equipamento de guerra anti submarino e preparar o helicóptero ASW, para a execução de uma tarefa tão dissimilar como o desembarque helitransportado era uma condição desaconselhável em vista das poucas células de Sea King então existentes. Esses fatores aliados a outros, fizeram com que a Força Aeronaval buscasse no mercado internacional uma solução adequada.

No caso a solução veio e duas partes: uma foi a criação de um esquadrão de emprego geral, enquanto a segunda exigia a escolha de um helicóptero que melhor preenchesse as necessidades identificadas. Buscando entre as diversas aeronaves de asas rotativas de médio porte então disponíveis no mercado, com a escolha recaindo sobre um novo helicóptero que recentemente havia entrado em produção nas linhas de montagem da Aerospatiale em Marignane na França, o AS 332 Super Puma. Assinado o contrato em março de 1985, a marinha brasileira, viria a ser um dos primeiros operadores militares da versão navalizada o AS-332F. Entretanto os helicópteros destinados a Marinha do Brasil seriam diferentes das demais versões de exportação , pois seria incorporada a capacidade de dobrar a cauda e assim permitir sua hangaragem a bordo do porta aviões A-11 Minas Gerais, em vista dessa e de outras modificações feitas nessas células os Super Puma receberam a designação de AS 332F1.

As primeiras células foram recebidas desmontadas em 15 de abril de 1987 na base aérea de São Pedro de Aldeia no Rio de Janeiro, sendo incorporadas ao o recém criado NUEsqdHU-2 ( Núcleo do Segundo Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral ) pré unidade criada para a estruturação e recebimento das aeronaves, as últimas unidades foram recebidas em fevereiro de 1988, ativando assim de fato e direito o EsqdHU-2 Esquadrão Pegasus.

Visualmente a tarefa de apoiar as operações anfíbias do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) são as que mais ocupam a agenda do EsqdHU-2, tendo com tendo como atribuições as missões de transporte de tropas, busca e salvamento, lançamento de paraquedistas e mergulhadores de combate, esclarecimento, e missões de apoio as operações noturnas de pouso e decolagens em porta aviões, sendo ainda utilizadas como aeronaves orgânicas embarcadas do Nae São Paulo, NDD Rio de Janeiro, NDD Ceará, NDCC Mattoso Maia e NDCC Garcia D Avila. 

Em abril de 1994 a Marinha recebeu mais dois helicópteros , um repondo uma perda sofrida em setembro de 1990, apesar das duas novas aeronaves terem recebido a designação UH-14 e serem referidas como Super Puma, essas duas células são, tecnicamente, helicópteros AS 532F1 Cougar, que é considerada a versão militar definitiva do AS 332, estas células receberam as matriculas 7076 e 7077.

Em Escala.

Para representarmos o UH-14 "7077", fizemos uso do modelo da Italeri na escala 1/72 que representa a versão AS 532 Super Puma / Cougar, sendo este um kit de fácil montagem, lamentavelmente não existe no mercado a opção na escala 1/48 desta família de helicópteros. Empregamos decais FCM presentes no set 72/03

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura em cinza brilhante com marcações em branco, este padrão se manteve até fins da década de 1990 quando foi substituído por outro padrão com o emprego de cinza fosco e marcações em preto.







Bibliografia :

- Aviação Naval Brasileira  - Professor Rudnei Dias da Cunha  http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html
- HU-2 O Esquadrão Pegasus da Marinha - Jackson Flores Jr - Revista Força Aérea  Nº 5