Meia Lagartas Americanos no Brasil


História e Desenvolvimento.

No período compreendido entre as duas guerras mundiais, o Exército americano em busca de melhorar sua mobilidade tática, buscava soluções para incorpora um veículo blindado de infantaria de alta velocidade, o conceito inicial nasceu da avaliação dos carros meio lagarta franceses Citroën-Kégresse, com base nos resultados obtidos, o comando do exército  solicitou a seus principais fornecedores estudos para o desenvolvimento de um veículo meia lagarta, dentre as opções apresentadas a escolha recaiu sobre um protótipo projetado pela White Motor Company, que empregava como base a plataforma do veículo M-3 Scout Car.

Os primeiros modelos M-2 começaram a ser produzidos em alta escala a partir de 1940, o alto índice de emprego de componentes automotivos presentes em veículos comerciais atuais, gerou uma melhor padronização, agilidade de produção e redução de custos, sendo os veículos produzidas nas fábricas das empresas, Autocar Company, Diamond T Motor Company, e White Motor Company. Umas das principais atividades do M-2 era o de operar como trator de artilharia, em fins de 1941 surgia uma versão com a carroceria alongada destinada ao transporte de tropas, tendo capacidade de transporte de doze soldados totalmente equipados.

Seu batismo de fogo ocorreu quando da invasão das Filipinas pelos japoneses em dezembro de 1941, porém foram empregados em larga escala durante a Operação Tocha em novembro de 1942, quando os aliados desembarcaram na África. A exemplo de seu antecessor o M-3 Scout, a família de M-2, M-3 e M-5 compartilhava as mesmas falhas de projeto, não oferecendo proteção adequada aos infantes, principalmente pela total ausência de cobertura e blindagem inadequada para suportar fogo de munição de médio calibre.

Ao longo do conflito novas versões foram adicionadas, entre elas variantes especializas, como carro comando, posto de rádio, antiaérea, e canhão auto propelido. Sua produção encerrou-se em 1945, atingindo a cifra de 52.451 unidades, sendo empregado por 27 nações durante e após o término da Segunda Guerra Mundial.

Emprego no Brasil. 

A carreira dos Meia Lagartas Americanos no Brasil, tem início em 1942 com a celebração do Lend Lease Bill  (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), criando desta maneira uma linha de crédito ao país da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico. As primeiras unidades sendo oito unidades do modelos M-2 e M3A-1, foram recebidas no início de 1942, juntamente com outras centenas de veículos blindados, os contratos previam a aquisição de 459 unidades (não existe confirmação oficial da totalidade de veículos entregues) que foram entregues entre 1943 e 1945, salientando que 5 unidades dos modelos M-3 e M-3A1 ao contingente da Força Expedicionária Brasileira na Itália, que foram incorporados ao 1º Esquadrão de Reconhecimento, atendo as atividades de transporte de carga e pessoal no teatro de operações italiano.

As versões recebidas pelo Exército Brasileiro apresentavam as seguintes características :

M- 2 : Primeira versão de produção, possuía logo atrás das portas de acesso da tripulação, duas caixas de munição e um pequeno porta minas lateral, de todas as versões é a que a apresenta a carroceria mais curta, possuindo ainda na parte frontal um cilindro metálico que facilitava transpor elevações no terreno, por último dispunha ainda de um trilho que percorria toda a extensão do mesmo visando a movimentação de uma metralhadora .30 .

M-2A1: Derivada do M-2, possuindo um suporte superior quadrado sobre o assento do auxiliar, para emprego de uma metralhadora .50, foi ainda dotada de um para choque longo com guincho, possuía na parte traseira dois suportes escamoteáveis para o transporte de pequenas cargas.

M-3 : Era dotada de uma carroceira mais longa, apresentando uma porta traseira central, dez assentos para tropas, tanques de combustíveis suplementares e diversos porta fuzis. Uma característica marcante é a lateral externa apresentar perfil totalmente liso.

M-3A1: Derivada da versão anterior (M-3), recebeu um para choque longo com guincho e o mesmo suporte de metralhadora .50 presente na versão M-2A1, recebendo ainda uma estrutura para emprego de capota de lona.


M-5 : De todas as versões esta apresentava diferenças visuais mais marcantes, possui toda a parte traseira da carroceria arredondada, dispondo de porta central de acesso, sendo retomado neste modelo o rolete frontal ( para auxiliar na transposição de elevações ) presente nas primeira versão M-2.

O emprego destas versões no Exército Brasileiro foram direcionados primordialmente ao transporte de cargas e tropas, recebendo a designação de CBTP (Carro Blindado de Transporte de Tropas), porém atuaram também como porta morteiros de 81mm e carros comando sendo dotados de rádio. Em fins da década de 1960 os altos custos de manutenção e a crônica falta de peças de reposição ( principalmente componentes do grupo motriz a gasolina ), praticamente reduziram a frota da força a pouquíssimas unidades operacionais, neste contexto especialistas do Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar ( PqRMM/2) conduziram estudos visando a substituição do motor original a gasolina por um motor Perkins a diesel de fabricação nacional , ainda neste processo foram introduzidos novos itens de produção brasileira entre eles pneus e tanques de combustível a prova de balas e sapatas de borracha para as lagartas. 

Após exaustivos testes em campo, este processo foi considerado viável em termos de custos e características técnicas,  e toda a frota remanescente passou por este repotenciamento, permanecendo em uso nas unidades de linha de frente até meados da década de 1980 quando foram enfim substituídos por veículos mais modernos.
Em Escala.

Para representarmos dos modelos M-3A1 e M-2 fizemos uso dos kits da Dragon e Tamiya, aplicando diversas alterações nos modelos em scratch para caracterizar as versões pretendidas empregadas no Brasil. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products pertencentes ao set  "Veículos Militares Brasileiros 1944 - 1982 ".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Americano, com os quais a totalidade dos veículos entregues ao Exército Brasileiro apresentava, as marcações nacionais foram aplicadas sobre os originais, a exceção dos carros em operação na Itália que ainda portavam as marcações americanas combinas das da Força Expedicionária Brasileira. Este padrão foi mantido durante toda sua carreira operacional no Brasil.

Bibliografia:

- Meia Lagartas no Exército Brasileiro por Expedito Carlos S. Bastos - Revista Hobby News Nº 27
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos
- M2 Half Track Car -  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M2_Half_Track_Car
- M3 Half Track Car -  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Half-track