Dodges ¾ 4X4 no Exército Brasileiro


História e Desenvolvimento. 

Fundada em 1914 a Dodge Motors Company, iniciou a produção de utilitários leves no mesmo ano, sendo os mesmos baseados nas plataformas dos veículos comerciais de passageiros, existentes até então, se tornando um sucesso, ajudando assim na expansão da empresa nos anos seguintes. No início da década de 1930 a então Dodge Motors começou o projeto e a produção de seus primeiros protótipos de caminhões militares dedicados, em 1939 nascia o modelo de meia tonelada 4X4 denominado série VC . A produção em série em larga escala teve início em  fins de 1940, visando assim atender a demanda das forças armadas americanas empenhadas em um amplo processo de reequipamento, este processo levou a alteração na designação do veículo, que passou a ser WC , sendo a letra “ W “ para representar o ano do início da produção ( 1941 ) e "C" para classificação de meia tonelada, sendo que  o mesmo código "C", posteriormente foi mantido para a tonelada ¾ e 1 ½ tonelada 6×6.

A família de veículos WC , atingiu a impressionante cifra de 38 variantes, entre elas, transporte de tropas, carga, ambulância, comando , estação móvel de comunicações, canhoneiro , oficina, reconhecimento, entre outros. Um ponto importante a citar era o índice de 80% de intercambialidade entre as peças de reposição de todas as versões, facilitando em muito a logística de suprimento nos diversos fronts de batalha da Segunda Guerra Mundial. Este fator aliado a enorme resistência em campo e custo benefício, proporcionaram a construção de aproximadamente 535.000 unidades de todos os modelos, durante o período do conflito.

As versões básicas denominadas Dodge4X4 3/4   WC-51 e WC-52  (sendo este modelo equipado com um guincho elétrico Braden UM-2 com capacidade de tração de até 3.409kg), foram as produzidas em maiores quantidades, sendo construídas 123.541 unidades do primeiro modelo e 59.114 do segundo. Estes dois modelos pesavam em média 2.560kg vazio e sua capacidade de carga era de 816kg, podendo rebocar 1.814kg na estrada ou 453kg fora, podiam subir rapas com inclinação de até 56 graus , dispondo de um tanque com capacidade de 113 litros de gasolina , que lhes conferia uma autonomia de 386 km quando completamente carregado.

Foram empregados em todos os teatros de operações, servindo a todos as forças aliadas, apesar de e apesar de não ser tão popular entre as tropas quando o Grand Jeep Willis (pois era mais pesado e menos manobrável que este concorrente), foram usados por cerca de 15 nações ao redor do mundo, sendo em muitas substituídas somente após 40 anos de serviços prestados.

Emprego no Brasil. 

A carreira dos Dodges ¾ 4X4 WC-51 e WC-52 tem início com o processo de modernização e reaparelhamento das forças militares brasileiras a partir de 1942 com a celebração dos acordos de fornecimento de material bélico presentes nos termos do Leand & Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamento), os quais previam o fornecimento de 954 unidades dos dois modelos em diversos lotes, sendo um deles recebidos diretamente na Itália em 1944, para assim compor os efetivos da Força Expedicionária Brasileira presente neste teatro de operações.

Recebidos juntamente com o restante do material bélico destinado a FEB, os WC-51 e WC-52 foram destinados a inúmeras funções dentre elas, transporte de carga e pessoal, ambulância, reconhecimento armado, remoção de cadáveres operando sob as mais difíceis condições de terreno e climáticas, comprovando assim suas qualidades de adaptação junto ao campo de batalha europeu onde qualquer manutenção ou reparo deveria ser efetuada sem o menor suporte técnico adequado de instalações ou ferramental, após o término das hostilidades  as unidades remanescentes foram enviadas ao Brasil. Serviram também com veículos de transporte para a Força Aérea Brasileira para atendimento as unidades do 1º Grupo de Avição de Caça e 1º Esquadrilha de Ligação e Observação.

Sua operação em território brasileiro teve início em 1942, oferecendo uma nova mobilidade operacional as forças de infantaria do exército, o alto número de unidades recebidas possibilitou dotar diversas unidades espalhadas pelo território nacional, desempenho muitas missões de transporte e ligação. Apesar do envelhecimento da frota e a carência de peças de reposição (salientado que algumas unidades foram modernizadas procedendo a troca do motor original a gasolina por um nacional a diesel) o modelo se manteve em operação até meados da década de 1970 sendo sempre chamado pelo carinhoso apelido de Jipão, quando foi enfim substituído por veículos mais modernos dedicados as mesmas tarefas.

Em Escala.

Para representarmos o WC-51 "FEB 310", empregamos o excelente kit da AFV Club, na escala 1/35, modelo este que prima pelo nível de detalhamento e possibilita também a montagem da versão WC-52 (dispondo do guincho mecânico frontal), incluímos em resina artefatos que simulam a carga em formato de caixas ou lonas de campanha. Fizemos uso de decais produzidos pela Decals e Books, presentes como   complemento do livro " FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro.



O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura militar americano, presente em todos os veículos com marcações nacionais, empregados pelos efetivos da Força Expedicionária Brasileira na campanha de Itália de 1944 a 1945.




Bibliografia :

- FEB na Segunda Guerra Mundial, por Luciano Barbosa Monteiro
- Dodges WC Series - http://en.wikipedia.org/wiki/Dodge_WC_series#WC51
- Dodge WC-51 - http://cvmarj.info/Dodge_WC-51.html
- Dodge 3/4  Ton WC-51 Uma Experiência real na FEB, por Expedito Stephani Bastos