Os Primeiros Obuseiros Autopropulsados do EB


História e Desenvolvimento.

Em meados da década de 1950, o comando do Exército Americano, emitiu requisitos para abertura de concorrência, visando o desenvolvimento de um novo veículo blindado para assim substituir a primeira geração de obuseiros autopropulsados, empregados na Segunda Guerra Mundial. Definido o vencedor, já no ano de 1954 foi apresentado o primeiro mock up, alguns protótipos foram construídos para teste e avaliações, e finalmente validado para produção em sério, o projeto designado como T195/195E-1 para ser chamado de M-108 Howitzer.

O M-108 foi equipado com um motor Detroit Diesel turbocharged 8V-71T 8-cilindros com  405 hp, lhe proporcionando mobilidade adequada para acompanhar as demais unidades blindadas no campo de batalha, dispunha como arma principal do canhão M-103 obus de 105 mm, capaz de disparar projeteis de 14,9kg em uma velocidade de 472 metros por segundo , com um alcance efetivo de 11,16 km, podia disparar todas as munições desenvolvidas no padrão Otan, entre elas, HE, WP e M-67 Head. Foi equipado com blindagem em alumínio, destinada a absorver pressões de impacto de projeteis de medido e pequeno calibre, porém não era dotado de proteção química, o que podia limitar em muito seu emprego nos campos da Europa no caso de confrontos com o Pacto de Varsóvia.

A produção em série se iniciou em outubro de 1962, com as primeiras unidades sendo entregues ainda neste ano, sendo distribuídas aos grupamentos de artilharia. Com o início no conflito no sudeste asiático, algumas unidades foram enviadas ao campo de batalha no Vietnã, onde foi aferido que seu canhão de 105 mm, não atendia as necessidades de cadencia de fogo e eficácia na destruição de alvos. Como solução previu-se a adoção de um novo canhão de 155 mm, esta decisão iria retirar de linha praticamente toda a frota de M-108 do exército americano, sendo parte desta frota convertida ao novo padrão que receberia a designação M-109 e o restante seria transferida a nações amigas como parte de acordos bilaterais de defesa.

A produção do M-108 foi oficialmente encerrada em setembro de 1963, totalizando aproximadamente 950 veículos, foram cedidos a nações amigas como Bélgica, Brasil, Espanha, China, Turquia e Tunísia, cerca de 270 unidades, sendo que muitas ainda permanecem em serviço ativo.

Emprego no Brasil. 

Como resultado dos acordos militares Brasil – Estados Unidos (no termos do MAP – Programa de Assistência Militar), o Exército Brasileiro recebeu, no final da década de 1960, 72 obuseiros autopropulsados M-108AR de 105mm, com o objetivo principal de dar maior mobilidade ao apoio de fogo as unidades de artilharia, a adoção deste modelo provocou uma grande evolução , pois nunca antes o exército havia tido em sua frota um obuseiro autopropulsado, rapidamente foram destinados a 4 unidades operacionais novas que passariam a ostentar a denominação de Grupamentos de Artilharia de Campanha Autopropulsados ( GAC AP ) alguns veículos foram destinados também a  duas unidades de ensino, para o treinamento e desenvolvimento de doutrina.

O fim da produção em série deste veículo nos Estados Unidos, e o rompimento do programa de assistência militar, com este país, prejudicaram em muito o fluxo de recebimento de peças de reposição, deixando grande parte da frota indisponível.

Para manter a disponibilidade da frota em índices aceitáveis os M-108 brasileiros foram submetidos no início da década de 1980 a um programa de modernização realizado pela empresa Motopeças , cuja principal alteração consistiu na remoção do motor de origem norte-americana, e substituição por um motor fabricado pela Scania do Brasil, modelo DS-14 de 385 cavalos de potência, alterações foram aplicadas no sistema de acionamento dos ventiladores de arrefecimento, que passou a ser feito por correias, no lugar do caro e complicado sistema de transmissão angular, outros itens críticos  foram também nacionalizados  neste processo. O conjunto motriz repotenciado apresentou uma superior robustez ao original e uma maior vida útil, reduzindo muito os custos de manutenção e as frequentes paradas para reparo.

Entre os anos de 1999 e 2001, o recebimento de novos obuseiros autopropulsados do modelo M-109, permitiu a desativação das unidades do M-108 mais críticas, atualmente resta menos a metade do inventario original em operação, devendo serem substituídos até o final de 2016 por novos lotes de M-109 A5 SPG, encerrando assim uma carreira de quase 55 anos no Brasil.

Em Escala.

Para representarmos o M-108 "EB12-912" , empregamos a única opção existente na escala 1/35 do fabricante Italeri /Testors , não necessitando qualquer alteração para se compor a versão brasileira. Fizemos uso decais fabricados pela Eletric Products "Veículos Militares Brasileiros 1944 - 1982". 




O esquema de cores ( FS ) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura , empregado em todos os M-108 desde o seu recebimento, até o ano de 1983 quando passaram a ostentar um novo esquema camuflado em dois tons , e novas padronizações de marcações e registros.







Bibliografia :

- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- M-108 105-mm Self-Propelled Howitzer http://www.military-today.com/artillery/m108.htm
- M-108 Howitzer – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/M108_howitzer