O Carro de Combate da Engesa


História e Desenvolvimento.

No início da década de 1980, o exército saudita emitiu especificações para a aquisição de um novo MBT (Main Battle Tank), atendo as demandas deste mercado a empresa brasileira Engesa, vislumbrou um novo nicho de mercado, naquela época a empresa era um dos principais fornecedores de veículos militares e equipamentos  as nações do oriente médio, o simples fato de não possuir  experiência na produção deste tipo de veículo blindado, levou a empresa brasileira a buscar parcerias com tradicionais fabricantes alemães, entre eles a Porshe e a  Tyssen-Henschel, esta possível associação tinha como objetivo a transferência de tecnologia e redução de custos de desenvolvimento do projeto, no entanto diversos pontos de divergência  entre as empresas e os parâmetros de projetos inviabilizaram estas possíveis  parcerias.

Descartadas as possibilidades de parcerias, a solução seria o desenvolvimento de um projeto próprio, agregando-lhe o que mais de moderno existia no mercado em termos de tecnologia, derivando assim  o projeto em duas vertentes, adequadas à exportação e ao emprego junto ao Exército Brasileiro, o início do projeto conceitual em Cad Can, ocorreu em 1982, sendo que o primeiro protótipo completado em 1984.

Os protótipos foram dotados de canhões de 105mm ou 120mm, empregando torres inglesas da Vickers Defense (de aplicação comum) , outros componentes seriam importados como a suspensão hidropneumática da Dunlop, as lagartas da Dhil, motor  MWM, transmissão ZF, periscópios com visão noturna, telêmetro laser e computador bordo de tiro da OLP, todos este itens representavam na época o status da arte em termos de tecnologia , dando ao blindado da Engesa o status de um dos mais modernos no cenário mundial.

 Em 1985 as primeiras demonstrações com o protótipo armado com o canhão de 120 mm,  foram feitas as autoridades sauditas, pois a Engesa tencionava mostrar a existência de um carro de combate brasileiro, adaptado a operações naquele tipo de terreno, característico de deserto, o esforço foi positivo atingindo os objetivos pretendidos , incluindo assim o modelo junto a outros três competidores internacionais, para uma licitação de compra de 800 unidades.

Em julho de 1987, o protótipo equipado com o canhão de 120mm seguiu novamente para a Arábia Saudita, para participação nesta nova fase da competição. os quatro veículos selecionados para esta fase semi final,  se confrontariam em vários testes, sendo ele : o Britânico Challenger , o Americano M1 Abrams , o Francês AMX-40  e o Brasileiro EE-T1 Osório. De início foram reprovados os dois veículos europeus na disputa, sendo o Osório, juntamente com o Abrams declarados como opções passíveis de compra. Nos bastidores, comenta-se que o desempenho do modelo nacional em muito superou seu concorrente norte americano, este fato pode ser aferido pelo interesse do cliente no fechamento do negócio envolvendo inclusive o processo de desenvolvimento do contrato e estudos para a abertura de uma linha de produção na Arábia Saudita.

Apesar de dispor de um projeto em termos técnicos superiores ao tanque M-1 Abrams, o projeto nacional seria abatido na concorrência junto aos sauditas, sendo alvo da influência e do peso político e econômico dos Estados Unidos, pois pendendo a balança para este modelo, pois pressionada por situações conflituosas e cercada de potenciais inimigos, a dinastia saudita depositou sua decisão alinhada aos interesses de Washington.

A perda desta concorrência selou o destino da empresa, pois o projeto foi totalmente desenvolvido com recursos próprios, e este fato provocou um desastre no fluxo de caixa da Engesa pois todos suas reservas emergências foram empregadas neste modelo, neste interim a falta de interesse e apoio do governo brasileiro, deixaram a empresa a mercê da sorte e infelizmente em 1993 a mesma viria a encerrar suas operações.

Emprego no Brasil. 

No mesmo período do desenvolvimento do modelo, o Exército Brasileiro buscava alternativas para a substituição de sua frota de carros de combate, que era ainda formada por modelos M-41, que apesar de modernizados, remontavam a tecnologia e desempenho da década de 1960, apesar dos requisitos do Osorio não antederem a especificação do exército ( que buscava um veículo de médio porte e não um MBT ), a Engesa desenvolveu um modelo para a comercialização nacional, armado com um canhão de 105 mm, que receberia a designação de P1.

Os testes com o protótipo destinado ao modelo nacional, tiveram início em dezembro de 1986, se estendo até fins de abril de 1987, neste período foram percorridos 3.296 km, sendo 750 km em condições adversas no campo de testes de Marambaia no Rio de Janeiro, com a finalidade de avaliação da mobilidade do veículo, foram ainda disparados 50 tiros com o canhão de 105 mm. Estes testes geraram dois relatórios técnicos (Retex e Retop ) , que foram extremamente favoráveis ao desempenho do blindado.

Infelizmente a tradicional falta de verbas necessária a aquisição de um primeiro lote de veículos, alinhavada ao cenário econômico da empresa, determinaram o cancelamento da incorporação do genuíno carro de combate brasileiro as unidades do Exército Brasileiro.

Os protótipos construídos e sobreviventes (canhão de 105mm e o de 120mm) ficaram sob custódia do Exército, mais precisamente no 13º R C Mec (13º Regimento de Cavalaria Mecanizado), em Pirassununga, mas sem pertencerem a este, portanto foram apenas armazenados. Esses veículos seriam leiloados em 20 de novembro de 2002, contudo, o ministério público de São Paulo impetrou ação, impedindo a venda destes veículos. Finalmente em 22 de março de 2003, ocorreu uma cerimônia de entronização no quartel do 13º R C Mec, onde as duas unidades foram incorporadas aos efetivos daquela unidade. No final de 2013 um dos veículos foi preservado no museu militar de Conde de Linhares, e outro foi transferido para o Centro de Instrução de Blindados no Rio de Janeiro.

Em Escala.

Para representarmos o EE-T2 "EB 346606180" fizemos uso do Kit da Trumpeter na escala 1/35 , modelo este que demanda uma séries de alterações para equalização ao projeto original, empregamos decais originais e também complementos oriundos do set " Exército Brasileiro 1983-2002" da Eletric Products.

O esquema de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o padrão de pintura exclusiva, empregada no protótipo EE-T2, sendo que o outro veículo foi caracterizado no padrão de pintura oficial dos demais carros de combate do Exército Brasileiro.



Bibliografia :

- Uma Realidade Brasileira Carros de Combate Tamoyo e Osório - Expedito Carlos Stephani Bastos - www.ufjf.edu.br/defesa
- EE-T1 Osório - Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/EE-T1_Os%C3%B3rio
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos