Embraer " Cargo " Bandeirantes


História e Desenvolvimento.

A origem do Bandeirante remonta a um requerimento do Ministério da Aeronáutica ao CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica), relativo ao desenvolvimento de uma aeronave bimotora que substituísse o Beechcraft D-18. Na época, capitaneado pelo Major Ozires Silva, o projeto viria a gerar a criação da Embraer. Destinado ao transporte militar o protótipo foi chamado de YC-95 e recebeu a designação civil de EMB-100, a primeira célula, que recebeu o número de série 2130, realizou seu primeiro voo em 22 de outubro de 1968, este e mais dois protótipos foram testados e avaliados continuamente durante 3 anos, resultando assim em alterações no projeto original.

Melhoramentos posteriores, como refinamentos aerodinâmicos, naceles dos motores aperfeiçoados e capacidade para 12 passageiros, fizeram o Bandeirante receber a designação de EMB-110 para o mercado civil e C-95 para o mercado militar. A Força Aérea Brasileira , encomendou 80 unidades deste versão inicial que começaram a ser entregues em fevereiro de 1973, sendo distribuídos a quase todas as unidades e transporte em substituição ao veneráveis C-47 e CA-10 Catalina.

O emprego operacional desta versão inicial, motivou a Embraer a estudar novas modificações no projeto, visando assim implementar as capacidades do modelo, tanto no requisito de desempenho quanto em capacidade de carga, assim desta maneira em 1975 surgia a versão EMB 110K1 ( C-95A ), que era especializada no transporte militar,  possuindo capacidade para 18 passageiros , fuselagem com 14,6 metros de comprimento total, deriva ventral, porta traseira de carga e porta extra para a tripulação e passageiros, este novo modelo recebeu um encomenda de 20 células que começaram a ser entregues a partir de 1977.

Ao C-95A, seguiu-se o EMB-110P1, com dezenove lugares e que voo pela primeira vez em janeiro de 1976, esta nova versão designada como C-95B , apresentava capacidade de transporte de 1.700 kg e se tornaria o esteio das unidades que operaram o Bandeirante. 

O mercado militar de exportação, proporcionou a internacionalização do modelo, sendo adquirido por nações, como Angola, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Gabão , Uruguai, Argentina e Senegal, esta vitrine , descortinou oportunidades no mercado comercial, e as  versões civis com as subvariantes, denominadas, EMB 110P2A, 110P1A/41 e 110P2A/41, iguais à P1 ( militar ), porem apresentavam como diferenças marcantes o diedro dos estabilizadores horizontais de 10°, melhor isolamento acústico e outras alterações. Além de operadores nacionais o Bandeirante foi adquirido por 42 empresas áreas regionais de 17 países, entre eles Estados Unidos, Ira, Reino Unido, Canada, Cuba, Nova Zelândia, Austrália e outros. Em 1990 encerrava-se a produção em série da família Bandeirante, sendo construídas e entregues um total de 501 unidades.

Emprego no Brasil. 

A introdução da família Bandeirante na Força Aérea Brasileira, trouxeram um novo alento as unidades de transporte, que estavam equipadas com modelos antigos, que apresentavam altos níveis de indisponibilidade devido à dificuldade obtenção de peças de reposição e obsolescência das células, rapidamente os C-95 A/B/C , assumiram as missões de transporte aéreo, ligação , atendimento humanitário, lançamento de paraquedistas, lançamento de cargas, evacuação aero médica, treinamento e conversão operacional , com atuação destacada  em todo o território nacional

As versões de transporte do Bandeirante, dotaram nada menos do que dez unidades de transporte da Força Aérea Brasileira, sendo ainda operadas como aeronaves orgânicas a serviços dos Parques de Manutenção Aeronáutica (PAMA) de Recife, São Paulo, Afonsos e Lagoa Santa, e também na Academia da Força Aérea e CATRE, CTA, EPCAR e também bases aéreas como Anápolis e Recife, se tornando assim o esteio da força de transporte leve e ligação da FAB por 36 anos. Ao todo 63 células das versões “ Alpha , Bravo e Charlie “, foram incorporadas aos efetivos da Força Aérea Brasileira no período entre 1977 e 1990.

A dependência operacional da FAB neste segmento de transporte demandou estudos, em meados da década de 2000 visando um possível processo de modernização visando assim a extensão de sua vida útil, desta maneira optou-se por modernizar a sua frota de C-95 A/B/C e também nove EMB-111 Bandeirulha (P-95B), totalizando 54 aeronaves.

Entre os vários itens a serem modernizados, estão os sistemas de ar-condicionado, radar meteorológico, piloto automático, bomba hidráulica, ferragens da estrutura das asas, baterias de emergência, sistemas de referências direcionais e de altitude (AHRS), receptores ADF e transponder, entre outros. Além disso, os instrumentos analógicos do painel serão substituídos por três telas de cristal líquido coloridas, que vão garantir melhor segurança, confiabilidade e diminuir a carga de trabalho dos pilotos. Nelas serão transmitidas as informações de altitude, velocidade, temperatura e pressão dos motores, indicadores de combustível e horizonte artificial, entre outras, este processo de modernização permitirá ao Bandeirante uma sobrevida até meados da segunda década deste século.

Em Escala.

Para representarmos o C-95C "FAB 2337" pertencente ao 6º ETA fizemos uso do kit em resina na escala 1/72 do GIIC, modelo infelizmente descontinuado pelo fabricante, porém ainda contamos no mercado com a opção da Liberty Quality Kits, nesta mesma escala. Empregamos decais originais impressos pela GIIC presentes no kit em conjunto com decais da FCM oriundos de diversos sets.


O esquema de cores ( FS ) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura camuflado em três tons , ostentando desde o recebimento das primeiras células em 1977 , até sua alteração por um novo padrão adotado a partir do processo de modernização das células. 





Bibliografia :

- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Centro Histórico da Embraer -http://www.centrohistoricoembraer.com.br/pt-BR/HistoriaAeronaves/Paginas/EMB-110-Bandeirante.aspx
- Os Reis do Rio – As Asas do 3º ETA, Marcelo C. Mendonça – Revista Força Aérea – Nº 22
- Embraer EMB 110 Bandeirante – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Embraer_EMB_110_Bandeirante
- Força Aérea Brasileira - http://fab.mil.br/portal/capa/index.php