CAP / Neiva Paulistinhas - Emprego Militar


História e Desenvolvimento.

As origens deste projeto envolvem o entusiasmo e interesse do empresário paulista Francisco Pignatari pela aviação. no final da década de 1930, quando em conjunto com o engenheiro italiano L. Bresciani projetaram e construíram dois protótipos de um modelo monomotor de pequeno porte para dois tripulantes. No final do ano de 1940, foi criada uma divisão industrial voltada a aviação dentro de uma das empresas do Grupo Pignatari, esta unidade teve como principal missão a construção de planadores civis. A boa recepção dos planadores no meio aeronáutico encorajou Pignatari a criar uma empresa de construção de aviões, assim em agosto de 1942, surgia a Companhia Aeronáutica Paulista – CAP. Além de toda a estrutura industrial herdada do Grupo Pignatari a CAP associou-se ao Instituo de Pesquisas e Tecnologia de São Paulo, passando a trabalhar no projeto do avião IPT-4, que foi renomeado CAP-1 "Planalto" e nos seus derivados, o CAP-2, o CAP-3 e o CAP-3ª, projetos estes que resultariam no modelo de maior sucesso comercial que seria designado como CAP-4 "Paulistinha".

O projeto do Paulistinha baseou-se na aeronave EAY-201 Ypiranga, cujos direitos de projeto e fabricação, eram pertencentes à Empresa Aeronáutica Ypiranga e foram adquiridos. Novamente com a ajuda de técnicos do IPT, o projeto foi revisto e em 2 de abril de 1943, o primeiro exemplar deixou as linhas de montagem para testes iniciais de aceitação.foi produzido em três versões, sendo que o modelo CAP-4A era a versão de instrução com 777 unidades produzidas. As outras duas versões eram o CAP-4B, capaz de transportar uma maca (dois protótipos produzidos), e o CAP-4C "Paulistinha Rádio" para regulagem de tiro de artilharia (um protótipo construído). Era uma aeronave robusta, de pilotagem simples e manutenção fácil. Por ser de construção simples, a CAP chegou a fabricar um Paulistinha por dia em 1943, no auge de sua fabricação, que encerrou em 1948. Com exceção dos motores, que vinham dos EUA, praticamente todos os demais itens eram de fabricação nacional.

Em 1955 a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva, adquiriu os direitos de fabricação do Paulistinha CAP-4 com o Ministério da Aeronáutica. O projeto recebeu modificações, entre elas o reposicionamento do tanque e a seletora de combustível, que recebeu uma proteção para evitar o fechamento acidental, a alteração das portas da cabine, as janelas, o capô do motor e os instrumentos, além de utilizar um propulsor mais potente, um Lycoming de 100 hp, e o batizou P-56 (P de Paulistinha e 56 do ano do projeto - 1956).

Para motorizar o P-56, a Neiva adotou o Continental C90 8F, de 90 hp, mas como não foi possível adquiri-lo no Brasil, utilizou o Continental C90 14F, também de 90 hp, mas que tinha partida elétrica, e mudou o sistema para manual para certificá-lo em 1957. Em setembro do mesmo ano, o Ministério da Aeronáutica fez uma encomenda de 19 P-56, que receberam os motores Lycoming O235B, de 100 hp, de propriedade do governo brasileiro, e a Neiva o designou P-56B.

Com a aquisição dos motores Continental C90 8F, de 90 hp, a Neiva homologou o P-56C (C de Continental) em 1960. Em seguida, o fabricante criou os modelos P-56B1, que recebeu um motor Lycoming de 115 hp, utilizado para pulverização de lavouras, e o P-56C1, que recebeu o motor Lycoming O320, de 150 hp, e foi usado como rebocador de planadores.

Foram fabricados cerca de 260 Neiva P-56 Paulistinhas. A maioria foi comprada pelo Ministério da Aeronáutica e doada aos aeroclubes, que, posteriormente, venderam alguns modelos a pilotos particulares, estando muitos operacionais no meio civil até os dias de hoje.

Emprego no Brasil. 

Na primeira metade da década de 1950, a Força Aérea Brasileira, buscava opções no mercado internacional para a substituição de sua frota de aeronaves de ligação leve, entre elas estava o Piper PA-18 Americano, que era muito semelhante ao Paulistinha, desta maneira pode se dizer que este foi o principal fator motivacional para a fundação da Neiva , pois com a aquisição dos direitos de produção da CAP-4 Paulistinha a empresa poderia dispor de um produto para atender as demandas da FAB.

Escolhido com uma das opções mais adequadas, a Força Aérea Brasileira adquiriu em 1959, vinte células da versão Bravo e uma da versão Delta novas de fábrica, que seriam empregadas como aeronave de ligação junto ao 1º Grupo de Aviação de Caça e também em missões de observação e calibragem de artilharia, assumindo assim as tradições originadas na campanha da Itália pela 1º ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação). Estiveram em plena operação até meados 1974 quando foram substituídos pelos novos L-42 Regente e Regente Elo, que também foram projetados e construídos pela Neiva. As aeronaves remanescentes da compra original foram transferidas ao Departamento de Aviação Civil (DAC) que procedeu sua doação a diversos aeroclubes brasileiros, onde continuam em serviço ativo juntamente com modelos civis do Paulistinha.

Apenas uma unidade foi adquirida pela Marinha Brasileira em 1962 pra fins de treinamento e transporte pertencendo ao acervo do 1º Esquadrão de Aviões de Instrução, unidade pertencente ao Esqd HI-1,  com subordinação direta ao CIAAN (Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval. Com o acordo que restringia a operação da Marinha a aeronaves de asas rotativas, esta célula foi transferida a FAB, onde não entanto não foi incorporada ao serviço ativo, sendo imediatamente sucateada. Como fato interessantes esta aeronave recebeu as matriculas N-505 e N-701 durante sua curta carreira na Marinha.

Em Escala.

Para representarmos o Paulistinha N-710 da Aviação Naval (que posteriormente teve sua matricula alterada para N-505), fizemos uso do antigo kit da Academy na escala 1/48, a similaridade do projeto da Piper com a aeronave nacional nos permite representarmos o modelo em questão procedendo mínimas alterações. Empregamos decais do fabricante FCM presentes no Set 48/07A. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura de alta visibilidade, empregado nas aeronaves de instrução da Marinha Brasileira, durante a sua segunda fase da aviação naval.




Bibliografia :

- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto
- Historia da Força Aérea Brasileia , Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aviação Naval Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html