Artilharia sobre Lagartas no Exército Brasileiro



História e Desenvolvimento.

Em meados da década de 1950, o comando do Exército Americano, emitiu requisitos para abertura de uma nova concorrência, visando o desenvolvimento de um novo veículo blindado para assim substituir a primeira geração de obuseiros autopropulsados, empregados na Segunda Guerra Mundial. Definido o vencedor, o modelo M-108 Howitzer, entrou em linha de produção em fins outubro de 1962, com as primeiras unidades sendo entregues ainda neste ano, distribuídas aos grupamentos de artilharia dispostos no campo de batalha no Vietnã, experiências neste cenário demonstraram que o canhão de 105 mm não atendia as necessidades de cadencia de fogo e eficácia na destruição de alvos, como solução previu-se a adoção de um novo canhão de 155 mm, esta decisão iria levar ao reprojeto do modelo, que geraria a linhagem do M-109 que se encontra em produção até os dias atuais.

Apesar de possuírem a mesma base conceitual e compartilharem muitos itens, este novo projeto contemplava avanços significativos, entre eles um chassi composto de alumínio blindado oferecendo maior resistência a impactos de armas de calibre médio, novos sistemas de direção de tiro e comunicação, capacidade estendida no transporte de munição, além de contar com um canhão M-185 de 155 mm.

O M-109 teve sua estreia em combate no sudeste asiático, logo em seguida foi empregado pelas forças de defesa de Israel na guerra Guerra do Yom Kippur 1973, e também no Líbano em 1982, foi empregado em larga escala pelas forças iranianas na Guerra Irã e Iraque, esteve presente também outras frentes de combate a serviço das forças britânicas, egípcias e sauditas. Novas versões foram desenvolvidas a partir de 1964, entre elas o M109A1, M109A1B, M109A3, M109A3B, M109A4, M109A5 e M109A5+. 

Um novo redesenho visando melhorias na blindagem, melhoria no sistema de armazenamento, upgrades nos sistemas de comunicação digital criptografada, mira, visão noturna, navegação por inércia, computador de missão, melhorias no motor e por fim modernização no canhão M284 e M-182A1, geraram uma nova versão que recebeu a designação de M-109A6 Paladin, sendo a versão padrão em maior número presente no Exército Americano.

A versão mais nova em serviço é a M-109A7 (que era anteriormente conhecida como M-109A6 PIM) , detendo maior peso de deslocamento que seu antecessor esta nova versão proporcionará maior precisão, melhor mobilidade e velocidade de deslocamento, as primeiras entregas tiveram início em  abril de 2015.

Modelos de diversas versões foram fornecidas há mais de 40 países alinhados com os Estado Unidos , estando ainda em serviço ativo em mais de 30 nações até a atualidade.

Emprego no Brasil. 

Compondo o esforço de modernização do Exército Brasileiro denominado FT-90 ( Força Terrestre 1990 ) , foram adquiridos entre os anos de 1999 e 2001 , 37 Viaturas Blindadas Obuseiro Autopropulsado M-109A3, denominadas na força como VB OAP M-109 A3, que eram oriundas de excedentes do exército belga, que antes de serem entregues sofreram um amplo processo de revisão e modernização das células,  realizado nas instalações da empresa belga Sabiex Internacional , sendo recebidas no Brasil em três lotes até abril de 2001. 

A adoção deste modelo veio prover o Exército Brasileiro de uma capacidade inédita de mobilidade e alto poder de fogo, representando assim um grande avanço em desempenho quando comparado ao modelo anterior em uso no país. O canhão de 155 mm apresenta uma elevação de + 75º, possuindo giro de 360º, com cadencia de 4 tiros por minuto, portando até 28 obuses neste calibre com alcance de até 23,5km (dependendo do tipo de munição a ser empregado).

Distribuídos em quantidades homogêneas, ao 15º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado , na cidade de Lapa (RS), 16º Grupo  de São Leopoldo ( RS) , 29º Grupo de Cruz Alta (RS) e para a Escola de Material Bélico – EsMB, no Rio de Janeiro.

Em meados de 2013 foram concluídas negociações para a aquisição de um novo lote de carros do modelo M-109A5 SPG , oriundos dos estoques do Exército Americano, passaram por um amplo processo de retrofit antes de serem entregues ao Exército Brasileiro. As versões mais antigas do M-109A3 serão modernizadas para serem elevadas a versão A-5, padronizando assim a força autopropulsada do EB.

Em Escala.

Para representarmos o M-109A3 "EB-6057" empregamos o antigo  kit da Italeri na escala 1/35, modelo este que necessita de diversas modificações para compor a versão nacional. Fizemos uso de decais produzidos pela Decal & Books - Forças Armadas do Brasil 1983 – 2002.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura camuflada em dois tons, empregado em todos os blindados de combate do Exército Brasileiro.




Bibliografia :


- M-109 Howtizer -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/M109_howitzer
- Obuseiro Autopropulsado M-109A3 - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/M109.pdf
- Blindados No Brasil, por Expedito Carlos Stephani Bastos