A Gênese da Engesa - Cascavel Magro


História e Desenvolvimento.

As primeiras experiências do Exército Brasileiro na operação de veículos blindados 6X6, teve início em 1942 com a celebração dos acordos Leand & Lease, que proporcionaram a cessão de lotes dos modelos T-17 e M-8, a profícua utilização deste tipo de carro, tanto na campanha da Itália, quanto em solo brasileiro, trouxe  grande expertise no desenvolvimento das técnicas de operação, tornando este tipo de carro reconhecimento e  combate leve muito bem aceito pelos efetivos brasileiros, sendo que o mesmo iria se tornar o embrião da indústria de blindados no pais.

Em 1967, foi criado um grupo de trabalho formado por oficiais engenheiros automotivos. Sua missão era realizar estudos visando a produção de blindados no Brasil. Os foram desenvolvidos nas oficinas Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar ( PqRMM/2), localizado na cidade de São Paulo. No escopo deste projeto estavam entre projetos o estudo para repontecializacao dos modelos M-8 Greyhound, consistindo basicamente na substituição do grupo motriz original a gasolina importado , por motor a diesel nacional Mercedes Benz OM-321, além também de se proceder também  alterações na transmissão, diferenciais e sistemas de freio. O êxito neste processo descortinou nova possibilidades a longo prazo, pois trouxe aos engenheiros envolvidos no projeto a familiarização com o conceito de construção deste modelo de carro blindado.

Neste mesmo ano o PqRMM/2, avançou com um projeto totalmente nacional de blindado sobre rodas, batizado de viatura Blindada Brasileira 1 ( VBB-1) , em linhas gerais a proposta previa a construção de uma família de veículos blindados sobre rodas como motor traseiro, prevendo o máximo emprego de componentes nacionais, fazendo uso das torres blindadas  usadas oriundas dos modelos T-17 já desativados. O protótipo foi testado exaustivamente , porém apesar de ser aprovado, o Exército Brasileiro decidiu rever o conceito, pois na verdade estava em busca de um novo veículo blindado com  tração 6X6 e assim versão 4X4 testada não atendia aos anseios.

Nascia assim o VBR-2 (Viatura Blindada sobre Rodas) , o primeiro mock-up na escala 1:1 foi construído nas oficinas do PqRMM/2, no entanto o conceito 6X6 trazia a necessidade fundamental de se estudar melhor o sistema de suspensão , sendo adotado o conceito “boomerang” criado por uma empresa chamada Engenheiros Especializados S/A ( Engesa ), a qual era empregada em veículos civis de transporte para todo terreno.

Devido a carência de torres optou-se inicialmente em desenvolver uma modificada a partir do M-8, sendo produzidas oito unidades nas instalações da CSN, eram armadas com um canhão de 37 mm e uma metralhadora coaxial .30. A próxima fase do projeto contemplou a construção de oito unidades pré serie (equipadas com uma nova torre, agora derivada dos M-3 Stuart ) , que seriam testadas por mais de 32.000 km entre os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Aprovado nos testes o projeto recebeu a nova designação de Carro de Reconhecimento Médio, permanecendo a sua base como o padrão de produção em série. Neste estágio sua denominação passou a ser EE-9 Cascavel , sendo o EE uma abreviatura de Engenheiros Especializados S/A , e o número 9 a representação de sua tonelagem.

Emprego no Brasil. 

O primeiro cliente do EE-9 Cascavel, foi o Exército Brasileiro que assinou em 1970 um contrato para a aquisição de 112 unidades que começaram a ser entregues a partir do ano seguinte, onde começaram a ser distribuídas aos Regimentos de Cavalaria Mecanizada e Esquadrões de Cavalaria Blindada, atuando em substituição aos derradeiros M-8 Greyhound. Devido a seu canhão de 37mm esta versão viria a receber entre as fileiras do exército a denominação de Cascavel Magro.

A introdução deste novo veículo junto as fileiras do Exército Brasileiro, promoveu um elevado salto quantitativo e qualitativo , pois trouxe uma disponibilidade de operação que não era experimentada há anos, devido a idade da frota anteriormente empregada.

No final da primeira metade da década de 1970, o Exército Brasileiro possuía em seus regimentos de cavalaria mecanizada, cerca de 112 Cascavel MK-I , e estava atento as demandas e exigências apresentadas por clientes externos da Engesa, os melhoramentos sugeridos como um novo canhão mais potente, novos equipamentos diretores de tiro, telêmetro laser e comunicação, se mostravam com importantes avanços a serem absorvidos pelo exército, desta maneira em 1974 , oito veículos da versão MKI pertencentes aos efetivos do exército  foram utilizados como protótipos e encaminhados a Engesa , recebendo como principal mudança visual, a incorporação de um canhão belga Cockerill 90 mm, montado em uma nova torre nacional, nascendo assim a versão M-2 Serie 5 no ano de 1977, modelo do qual foram feitas novas encomendas.

O gradativo recebimento das novas versões MK-III no final da década de 1970 e na década de 1980, relegaram o Cascavel Magro a unidades de segunda linha e atividades de treinamento nas unidades do Exército Brasileiro, sendo que as últimas unidades foram retiradas do serviço ativo no início da década de 1990.



Em Escala.

Para representarmos o EE-9 MK I " EB 10-128 " fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35, como este modelo originalmente representa a versão MK-III, tivemos de realizar a conversão em scratch dos itens descritos abaixo :

- Torre do canhão 37 mm
- Disposição dos faróis dianteiros
- Escotilhas frontais
- Desenho do casco



Empregamos peças oriundas do kit Academy - M-3A1 Stuart – Escala 1/35 (construção parcial da torre ) e diversas peças construídas em resina ou plasticard. Para visualizar o review completo e as etapas de conversão clique aqui

O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado em todos os veículos utilizados desde o recebimento até o ano de 1982.



Bibliografia : 

- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- EE-9 Cascavel  Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/EE-9_Cascavel