Cascavel o Ápice da Engesa


História e Desenvolvimento.

O EE-9 Cascavel começou a ser desenvolvido a partir de 1970, sendo fruto de uma parceria entre o PqRMM/2 (Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar ) e a empresa Engesa ( Engenheiros Especializados S/A ), as primeiras encomendas, da versão MK-I dotadas com um canhão de 37 mm começaram a ser entregues ao Exército Brasileiro.

A expectativa no potencial de exportação, levou a Engesa, a apresentar o projeto em 1973 ao exército português, que na época estava envolvido com a Guerra do Ultramar, travada em Angola, Moçambique e Guiné Bissau, o blindado foi bem recebido, mas ficou a clara a necessidade em se contar com um maior poder de fogo. A sugestão foi equipa-lo com a torre e o canhão ( 62F1 de 90 mm ), da empresa francesa Sofma, porém as dimensões do carro não eram compatíveis com o novo armamento. A solução foi criar uma nova carcaça mais larga e comprida, dando origem assim ao modelo MK-II. Apesar de sofrer diversas alterações ao longo dos anos, principalmente no que tange a torre e ao canhão, essa versão maior se estabeleceu como o novo padrão do blindado, sendo produzida até as últimas unidades na versão M7.

No início de 1974, os primeiros EE-9 MK-II foram enviados a Portugal para testes, porém mudanças naquele conflito, determinaram a suspensão do processo de aquisição, diante deste contratempo a saída, foi a prospecção de novos clientes em potencial, entre eles a Líbia, onde os carros foram arduamente testados, resultando no primeiro grande contrato de exportação de empresa, abrangendo 200 unidades, que receberiam posteriormente a designação do fabricante de  MK-III.

O Cascavel, é um veículo de reconhecimento e foi feito para poder ser customizado as necessidades do cliente, podendo ser equipado, por exemplo, com telêmetro a LASER, manga de supressão de fumaça, sistema eletrônico de controle de tiro, entre outras sofisticações que lhe traziam grande diferencial competitivo. Sua excelente relação de custo benefício e seu êxito no emprego operacional em combates reais, o tornaram um sucesso comercial, sendo construídos 1.783 unidades de todos modelos, estando os mesmo em serviço em países como, Bolívia, Burkina Faso, Chade, Chile, Colômbia, Chipre, Equador, Gabão, Gana, Irã, Iraque, Líbia, Nigéria, Paraguai, Suriname, Togo, Tunísia, Uruguai e Zimbabwe. 

O Iraque foi o principal cliente estrangeiro, do veículo de reconhecimento Cascavel, antes da primeira guerra no golfo que se seguiu à invasão do Kuwait. Os iraquianos utilizaram este veículo com sucesso no conflito contra o Irã e posteriormente na invasão do Kuwait, do total de 364 unidades entregues, cerca de 35 continuam em serviço após serem modernizadas pelos americanos e entregues as forças de segurança do pais em 2013. Muitos países ainda o mantém em serviço, e programa de repontecialização lhe permitirá se manter em operação pelo menos até a segunda década do século XXI.

Emprego no Brasil. 

No final da primeira metade da década de 1970, o Exército Brasileiro possuía em seus regimentos de cavalaria mecanizada, cerca de 112 Cascavel MK-I , e estava atento as demandas e exigências apresentadas por clientes externos da Engesa, os melhoramentos sugeridos como um novo canhão mais potente, novos equipamentos diretores de tiro , telêmetro laser e comunicação, se mostravam com importantes avanços a serem absorvidos pelo exército, desta maneira em 1974 , oito veículos da versão MKI pertencentes aos efetivos do exército foram  entregues a Engesa para serem assim utilizados como protótipos,  recebendo como principal mudança visual,  a incorporação de um canhão belga Cockerill 90 mm, montado em uma nova torre nacional, nascia assim a a versão M2 Série 5 em 1977, após a finalização dos testes de aceitação e correções necessárias, foram encomendados 46 unidades.

Ao longo dos anos de produção seriada, novos melhoramentos foram incorporados, gerando os veículos Modelo 2 Serie 7 em 1980 com 07 unidades, Modelo 6 nas séries 3, 4 e 5 com 37 unidades e finalmente o modelo 7 nas séries 8 e 9 com 215 unidades adquiridas. O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil adquiriu também seis unidades que foram empregadas até de fins de 1990 , quando foram  substituídos por novos blindados sob lagartas Sk105A2S Kürassier, mais indicados para operações de desembarque anfíbio.

Dotando atualmente todos os Regimento de Cavalaria Blindados e Esquadrões de Cavalaria Blindados , o Cascavel provê as forças em campo a agilidade e potencial de fogo no campo de batalha, chegando a pesar 13,4 toneladas, possui motor diesel Mercedes Benz, que lhe proporciona velocidade de até 100km/h com autonomia de de 750 km, como diferencial, apresenta tração nas 6 rodas com suspensão tipo boomerang,  sendo possível montar seus pneus com câmaras tipo alveolar que lhe permite deslocamentos de até 50 km, mesmos vazios ou perfurados por projéteis

No Exército foram empregados com sucesso também em missões de Paz (Contingentes da ONU), em Angola - UNAVEM III e Moçambique - ONUMOZ entre os anos de 1995 e 1997 sendo imersos em uma situação real de conflito de longa duração, fornecendo assim dados importantes sobre o desempenho do modelo. 

A partir de 2001 o Arsenal de Guerra de São Paulo iniciou um processo de repotenciamento e modernização das unidades remanescentes, estendendo assim sua vida útil até a entrada em serviço de seu substituto o VBT-MR IVECO Guarani 8X8, na versão de reconhecimento armado.

Em Escala.

Para representarmos o EE-9 Cascavel "EB 25291 ¨", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35, como se trata de um modelo rustico, tivemos de aplicar diversas correções em scratch e também proceder a inclusão de detalhamentos oriundos de outros modelos. Empregamos decais fabricados pela  Decals e Books presentes no Set " Forças Armadas do Brasil ".


O esquema  de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o  segundo padrão de pintura empregado em todos  os EE-9 Cascavel MK-III do Exército Brasileiro.






Bibliografia : 

- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- EE-9 Cascavel  Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/EE-9_Cascavel