Treinadores Leand Lease Act

No final da década de 1930, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos , buscava um novo treinador primário monoplano , visando assim adequar seus esforços na formação de pilotos. Em 1939, foram avaliados 18 modelos com a escolha sendo definida pelo modelo PT19, da Fairchild, com a primeira encomenda de 275 unidades dotadas com o motor Ranger L-440 de 175 HP, logo as qualidades deste novo modelo foram comprovadas em operação, e o eclodir da Segunda Guerra Mundial na Europa iria determinar a produção em massa , pois havia a necessidade emergencial de formar pilotos em larga escala. Novamente o sucesso do projeto foi atestado e o pequeno treinador da Faichild se tornou o esteio na formação de pilotos americanos e britânicos, saiam das linha de produção aos milhares sendo entregues por voluntarias em todos os centros de formação espalhados pelo país entre 1942 e 1944. Ao termino do conflito mais de 6.000 unidades de todos os modelos haviam sido produzidos e foram operados por 22 países, com inúmeras células sendo mantidas em estado de voo até hoje por museus ou colecionadores.

Em 1941 a recém criada Força Aérea Brasileira, tinha por missão principal a formação de pilotos para a operação dos novos modelos de combate e transporte que estavam sendo encomendados, ocorre porém que a grande maioria de seus vetores de treinamento era composta por obsoletos biplanos que não atenderiam a esta demanda. A solução adotada foi a utilização do Leand Lease Act® ( Lei de Empréstimos e Arrendamentos ), com a aquisição de 100 unidades do PT-19, resolvido o  processo, apresentava-se ao comando da FAB o desafio de trazer este modelos ao pais, pois o intensificar da batalha do Atlântico neste período inviabilizava o transporte das aeronaves por via marítima, e a opção de translado por via área era muita arriscada,  pois o modelo não fora projetado para longos percursos. Apesar de não aconselhável esta era a unica maneira , então foi então decidido que todas as aeronaves seria trazidas em voo, dos Estados Unidos ao Brasil, por oficiais da, sem dúvida, isso significava que tais oficiais iriam cumprir uma missão do mais alto risco. Na década de 1940, existiam poucos campos de pouso na América Central e na região norte da América do Sul, facilidades como auxílios-rádio à navegação e infraestrutura de apoio logístico e de manutenção, então, eram praticamente inexistentes, e como dito anteriormente o maior problema estava em trazer os pequenos aviões Fairchild PT-19, de instrução primária. Esses aviões, construídos em madeira, tinham cockpits abertos e pequena autonomia, além de estarem desprovidos de rádios e de instrumentos de navegação adequados para tão longa e perigosa viagem (na foto acima, o painel de instrumentos do PT-19). Seus motores Ranger L-440, de seis cilindros invertidos, consumiam grande quantidade de óleo lubrificante, que poderia ser escasso, durante a jornada.

Os aviões, recebidos novos na fábrica da Fairchild, em Hagerstown, Maryland, eram geralmente reunidos em grupos de 5 aeronaves, cada uma das quais pilotada por um único oficial. Na nacele dianteira, foi instalado um tanque suplementar de combustível, para aumentar o alcance do pequeno avião. Para cada uma das primeiras esquadrilhas, era incorporado um avião Fairchild UC-61, monomotor de asa alta e com capacidade de 4 tripulantes (foto abaixo). Nesse avião, viajavam o comandante da esquadrilha, o sargento mecânico e um piloto reserva. A quantidade de bagagem que cada avião trazia era mínima, devido à necessidade de se trazer várias latas de óleo lubrificante para os Ranger. Entre julho e agosto de 1941, trinta PT-19 foram trazidos em voo, desde Hagerstown até o Campo dos Afonsos, através da América Central continental e do litoral da América do Sul. Era praticamente impossível, naquela época, sobrevoar a Amazônia pelo interior.

Essas primeiras esquadrilhas fizeram um voo realmente épico. Como o Brasil já estava praticamente às portas da guerra, não havia como esperar que a época das chuvas passasse. As condições meteorológicas, então, eram horríveis. Enquanto as aeronaves voavam acima do território dos Estados Unidos, o ar era quente e seco, e a névoa seca dominava amplas regiões. A partir da América Central, o ar era sempre muito úmido, com formação frequente de CBs e muitas pancadas de chuva, até o Rio de Janeiro. Os oficiais americanos, ao tomarem conhecimento da intenção dos pilotos brasileiros de levarem os PT-19 em voo para o Brasil, fizeram sombrias previsões: pelo menos 40 por cento dos aviões ficariam pelo caminho, pois as condições eram imprevisíveis e os aviões não eram feitos para isso.

Embora o risco da viagem fosse óbvio, só houve uma perda de vida em todas as viagens durante toda a Guerra: o Primeiro-Tenente Aviador QO Aux. Kenneth Lindsay Molineaux, acidentou-se com o seu PT-19 quando sobrevoava o Território do Amapá, já no Brasil, sob forte chuva. Além dessa aeronave, houve somente mais duas perdas de aviões PT-19, mas ambos os pilotos sobreviveram. Isso dá um índice de perda de menos de 3 por cento do total de 106 aeronaves PT-19 que foram transportadas em voo dos Estados Unidos ao Brasil, durante toda a Guerra. As perdas de outros tipos de aeronaves foram ainda menores, furando as terríveis previsões dos americanos de perda de 40 por cento do equipamento durante a operação. Ao longo do conflito mais 65 aeronaves seria entregues desta maneira.

Em operação no Brasil foram empregados pela Escola de Aeronáutica no Campo dos Afonsos. onde os modelos americanos se juntaria a mais 234 células do modelo 3FG que foram produzidas na Fabrica do Galeão. Ao longo de toda sua carreira, os PT-19 foram responsáveis pela formação de mais de 2.500 pilotos brasileiros até fins da década de 1950 quando passariam a ser substituídos pelos novos Fokker S-11, as células sobreviventes foram doadas a diversos aeroclubes espalhados no Brasil, onde continuaram a nobre missão de formar aviadores.

Para representarmos o PT-19B " FAB 0310" , fizemos uso do kit em resina na escala 1/48 da GIIC que apresenta facilidade de montagem e opções de detalhamentos interessantes. Empregamos decais oriundos do modelo.


Bibliografia :

- Fairchild PT-19  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Fairchild_PT-19
- Historia da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- A Grande Epopeia dos PT-19 - Cultura Aeronautica
- Aviação Militar Brasileira 1916 / 1984 - Francisco C. Pereira Netto