O Pioneiro da Embraer

Em 1964, o Ministério da Aeronáutica encomendou estudo ao CTA sobre a viabilidade de ser criada no Brasil uma linha de produção para aeronaves de passageiros de médio porte. No ano seguinte, foi assinado o documento básico de aprovação do projeto do IPD-6504, o futuro Bandeirante. O primeiro protótipo foi construído em três anos e quatro meses, consumindo 110 mil horas de trabalho. Cerca de 300 pessoas dedicaram-se ao projeto, lideradas pelo Cel. Ozires Silva. Este protótipo realizou o primeiro voo de demonstração em 22 de outubro de 1968, a partir do aeroporto de São José dos Campos, sob o comando do Major Mariotto Ferreira e do Engenheiro Michel Cury.

No dia 19 de agosto de 1969 foi criada a Embraer ( Empresa Brasileira de Aeronáutica ) , destinada inicialmente à fabricação seriada do avião Bandeirante. No mesmo ano, o Ministério da Aeronáutica assinou contrato para a produção em série de 80 Bandeirante. Em 19 de outubro, o segundo protótipo do Bandeirante fez seu voo inaugural, ainda sob a responsabilidade do CTA.  Embraer começou a funcionar em 02 de janeiro de 1970 , enquanto o primeiro Bandeirante, o EMB 100, acumulava experiências de voo, a equipe de projetistas procedia novas modificações e ajustes necessários, produzindo um terceiro protótipo. Apesar do bom desempenho do Bandeirante, verificou-se que as condições de mercado haviam se modificado desde a criação do projeto, e os oito lugares que o avião oferecia eram insuficientes. A equipe de projetistas da Embraer decidiu, então, reformular o projeto, criando o EMB 110 Bandeirante, maior  com 12 lugares na versão militar  e alguns avanços técnicos em relação aos primeiros protótipos.

Em 09 de fevereiro de 1973 foi realizada a primeira entrega do EMB 110 Bandeirante para a FAB,  modelo de produção inicial para transporte militar com doze lugares. Equipado com motores Pratt & Whitney Canada PT6A-27 de 680 HP em naceles redesenhadas alojando completamente o trem de pouso recolhido, apesar da encomenda inicial ser de 80 células, apenas 55 foram entregues, pois a experiência de operação dos modelos militares e civis iria demandar evoluções na linha original do projeto gerando assim novas versões que seriam adquiridas posteriormente pela Força Aérea Brasileira.

A incorporação desta aeronaves proporcionou uma  revolução nas unidade de transporte aéreo, pois vieram a substituir os lendários C-47 e C-45 que operavam em importantes missões de transporte e integração do território nacional, que apesar de confiáveis já apresentavam em suas asas sinais claros de obsolescência  e a  adoção de modelos turbo helice dotados de moderna avionica vieram a ampliar este leque de atribuição a aviação de transporte.

A  primeira célula o C-95 FAB "2132" foi recebida  pelo 3º Esquadrão de Transporte Aéreo " Pioneiro" em 9 de fevereiro de 1973, estas importantes aeronaves dotaram não apenas as  unidades de transporte, mas  também  atuaram como aeronaves orgânicas a serviços da Academia da Força Aérea, Escola Preparatória de Cadetes do Ar, CTA, CATRE e bases aéreas como Florianópolis, Santa Cruz, Anápolis, Fortaleza e Campo Grande. Outro fato marcante é que duas células ( 2175 e 2183 ) foram arrendadas ao Exército Brasileiro, mantendo as equipagens e marcações originais, contando apenas como diferencial a aplicação do brasão do EB na parte frontal da fuselagem.

Após quase 40 anos de operação, as células remanescentes deste modelo foram gradativamente substituídas por modelos como o C-98 Caravan ou versões posteriores do próprio C-95 e desta maneira se preparam para a merecida aposentadoria , deixando como legado a ousadia e qualidade da indústria nacional.

Para representarmos o C-95 "FAB 2143" fizemos uso do excelente kit em resina do fabricante Liberty Quality Kits na escala 1/72, empregamos decais oriundos de diversos sets da FCM decais , pois perdemos o set original do modelo em um acidente.


Bibliografia :

- Historia da Força Aérea Brasileia , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aviação Militar Brasileira 1916 / 1984 - Francisco C. Pereira Netto